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Não é todos os dias que podemos provar um vinho — cheirá-lo, agitá-lo e levá-lo à boca — sem abrir uma garrafa. Parece magia, mas é antes uma resposta (acertada) da ciência: o sistema Coravin foi criado em 2014 mas só agora chegou ao mercado nacional para agrado de muitos escanções, enólogos e até enófilos — porque não é preciso ter uma quinta carregadinha de vinhas ou ser-se um especialista na matéria para apreciar vinho.

A ideia brotou de solos norte-americanos — tal e qual uma videira — e cresceu para servir de resposta à necessidade de um homem que só queria, no fundo, desfrutar da sua coleção de vinhos de uma forma livre e espontânea. O sonho de Greg Lambrecht não era dos mais usuais: ele ambicionava servir vinho num copo sem ter de puxar obrigatoriamente da rolha de uma das suas preciosas garrafas. E depois de muitos anos de pesquisa, Lambrecht conseguiu finalmente gritar “eureka!”.

O Coravin permite, então, que a prova de um néctar se prolongue durante semanas, meses e até anos, evitando que se abra uma garrafa apenas em ocasiões especiais — convenhamos, às vezes não apetece esperar tanto tempo quanto isso. Ajuda a prolongar a durabilidade de um vinho e é fácil de compreender o jeito que pode dar em restaurantes e wine bars com serviço de vinho a copo, bem como nas garrafeiras, onde este pode ser explorado e avaliado sem problemas de maior.

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Mas como é que funciona? O segredo está na agulha fina e oca que é introduzida na rolha de cortiça para chegar ao vinho, sem a danificar. A garrafa é depois pressurizada com Árgon, um gás inerte usado no processo de produção dos néctares de Baco: ao mesmo tempo que o vinho sai pela agulha, o espaço que este ocupava é preenchido pelo gás, evitando a oxigenação da bebida. A partir do momento em que a agulha é removida, a rolha assume a sua forma original e o vinho que sobrou fica entregue à natural evolução do tempo.

O Coravin pode parecer complexo, mas seguindo as instruções não há como falhar. O sistema completo está agora disponível na Heritage Wines, em Vila Nova de Gaia, por 299 euros, e inclui acessórios complementares, desde recargas de Árgon (cada botija dá para cerca de 15 copos) a agulhas e sacos de transportes.

E caso tenha dúvidas sobre a sua eficácia, pode sempre dar uma olhadela ao que a imprensa estrangeira já escreveu sobre o produto: a revista GQ incluiu-o na lista dos melhores objetos de 2015, enquanto o LA Times considerou-o uma de 26 grandes ideias para foodies.