A GNR está implementar em todo o país um plano de fiscalização preventiva para alertar as populações para a limpeza voluntária dos matos junto às habitações e ajudar a travar o flagelo dos incêndios florestais.

Quinze militares e oito viaturas do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) e do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) percorreram esta manhã algumas aldeias do concelho de Murça, distrito de Vila Real.

Os militares concentraram-se em Fiolhoso, aquela que é considerada a aldeia mais luxemburguesa de Portugal, isto porque são muitos os que dali emigraram para o Luxemburgo e, depois de uma apresentação na junta de freguesia, espalharam-se pelo terreno.

O guarda Costa e o cabo Rodrigues entraram num dos cafés da aldeia e aproveitaram os clientes para passarem a mensagem de que é preciso limpar os matos à volta das habitações, numa área de 50 metros. “Podem ter árvores, mas estas e o mato rasteiro têm de estar limpos”, salientou o cabo Rodrigues.

A chuva intensa que caiu hoje dificultou o contacto com as pessoas na rua, mas é nesta altura, no inverno, que é preciso prevenir para, segundo afirmou à agência Lusa o capitão do GIPS Bruno Antunes, “evitar os incêndios florestais”.

“O objetivo é mesmo esse, mitigar ao máximo este flagelo”, frisou.

É um trabalho que se repete desde 2013 e que, de acordo com o responsável, está a dar resultados.

“No ano passado, no distrito de Vila Real, nos concelhos onde promovemos estas ações houve uma redução de 40% nas ignições”, sublinhou.

Para já identificam-se as situações de infração, sensibilizam-se os proprietários para a limpeza voluntária mas depois, a partir de maio, os militares voltam a passar e aí já são levantados autos de contraordenação.

A grande dificuldade com que os militares se confrontam é identificar os proprietários, uma dificuldade acrescida em localidades como Fiolhoso onde a maioria da população é emigrante e só regressa na altura do verão, o período mais crítico de ocorrência de incêndios.

Mais à frente, na aldeia de Fonte Fria, já na freguesia de Vilares, os guardas pedem ajuda a um casal para tentarem identificar o dono de um terreno, ali ao lado, que precisa de ser limpo. Maria Dulcínia e Américo Correia colaboram prontamente e dizem que estas iniciativas são bem-vindas, até para a segurança da sua própria casa.

O presidente da Junta de Fiolhoso, José Manuel Marcolino, tenta também ajudar os militares mostrando, num mapa, quais são as situações mais preocupantes.

“Aqui há bastantes terrenos muito próximos das habitações e há muitas zonas que não estão limpas e que é preciso limpar”, frisou o autarca.

Para José Marcolino, a vinda da GNR à aldeia pode “incutir mais algum receio e medo de serem autuados” o que pode também servir como incentivo a que os populares cumpram a legislação.

Já Carlos Teixeira, ex emigrante, pede à GNR para “não se compadecer com ninguém”, considerando que “primeiro ainda se pode dar uma advertência mas depois autuar verdadeiramente”.

“Estas ações são boas porque há muitas habitações que estão em risco, portanto se elas estão em risco há que protege-las. Não só as casas como as pessoas. Pode estar uma pessoa a dormir e vir um incêndio de noite e destruir a casa”, referiu.

Carlos Teixeira lembrou a floresta, de pinhal e antigos castanheiros, que havia à volta de Fiolhoso, e lamentou que os incêndios tenham destruído “essa fortuna”.

Durante a manhã, os militares identificaram 30 situações de infração nas freguesias de Fiolhoso e Vilares.

“Este ano, a GNR em Vila Real propõe-se até ao dia 15 de maio conseguir identificar todas as condições de não conformidade”, concluiu o capitão Bruno Antunes.

Em 2015, arderam 68.000 hectares em Portugal, tendo a GNR contabilizado 20.481 ocorrências e 5.864 crimes.