Um relatório do Reino Unido sobre Hong Kong expressa preocupação sobre o respeito do princípio “um país, dois sistemas” na cidade, segundo a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK).

O relatório para o parlamento do chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, divulgado na noite de quinta-feira, destaca o eventual rapto do livreiro da Causeway Bay Books pela China e a linha seguida nas liberdades académicas como as maiores preocupações.

O livreiro Lee Bo, funcionário da Causeway Bay Books e da editora Mighty Current, especializada na edição e venda de livros críticos do regime chinês, é um dos cinco editores estabelecidos em Hong Kong que desapareceram no final do ano passado.

Lee Bo foi visto em Chai Wan (Hong Kong) a 20 de dezembro e as autoridades do interior da China informaram já este ano a polícia da antiga colónia britânica de que se encontra no interior da China, tal como os restantes desaparecidos.

“A nossa informação atual indica que o Sr. Lee foi involuntariamente levado para o interior da China sem o devido processo legal ao abrigo da lei de Hong Kong”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico no prefácio do relatório.

O documento diz que se Lee realmente atravessou a fronteira, levado por agentes do interior da China, isso constituiria uma grave violação da Declaração Conjunta Sino-Britânica, relativa a Hong Kong, ferindo o princípio de “Um país, dois sistemas”. Também refere que a aplicação da lei em Hong Kong é da exclusiva responsabilidade das autoridades da cidade e pede a libertação imediata de Lee, que detém um passaporte britânico.

O relatório também nota a possibilidade de deterioração da Liberdade académica em Hong Kong, em particular no que diz respeito a nomeações e políticas.

O documento destaca a decisão do órgão de gestão da Universidade de Hong Kong de não apontar um académico pró-democracia, Johannes Chan, para vice-reitor da instituição.

Por outro lado, sublinha como causa para preocupação a nomeação do antigo secretário para a Educação e conselheiro executivo, Arthur Li, como presidente do órgão regulador da Universidade de Hong Kong, não obstante a oposição de muitas pessoas.

O documento acrescenta que a autonomia institucional é uma das liberdades fundamentais protegida pela Declaração Conjunta e frisa que Londres vai continuar a acompanhar de perto os desenvolvimentos da situação.