A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) divulgou, esta sexta-feira, o novo estudo sobre violência no namoro e considera os dados recolhidos “preocupantes”. A investigação, que envolveu 2.500 jovens entre os 12 e os 18 anos, de Braga, Grande Porto e Coimbra, revelou que 6% dos jovens que já estiveram ou estão numa relação de namoro (59%) já foram “pressionados” a beijar em público, o que se traduz na “demonstração de um sentimento de posse em relação ao companheiro/a”, lê-se no estudo.

No campo da vitimação foi também avaliada a invasão de privacidade pelo companheiro/a, a agressão física, a proibição de estar ou falar com alguém e as relações sexuais forçadas. Quanto a este último ponto, 3% dos jovens responderam já terem sido “vítima, pelo menos uma vez, de relações sexuais forçadas”, o que implica não só violência física, mas também psicológica.

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Quanto à invasão de privacidade, 16% dos jovens afirmaram que o parceiro já mexeu no seu telemóvel sem autorização, ao passo que 5% já sofreram agressões físicas, algo que considerado “preocupante” por ser “uma das formas de violência mais visível”.

Por outro lado, 13% dos 59% considerados no campo da vitimação revelaram que já foram proibidos de “estar ou falar com alguém”. Este dado em concreto demonstra que a “manifestação de poder” tem “alguma prevalência nestas idades juvenis”.

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O outro campo analisado no estudo da UMAR, que integrou um universo de 2.500 jovens, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, foi a legitimação da violência, ou seja, atos que os jovens não reconhecem como sendo violentos. 22% dos jovens não reconhecem a violência no namoro, um dado já avançado esta manhã, e 16% não consideram que pressionar o companheiro a ter relações sexuais seja um comportamento violento.

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Mas existem outros comportamentos que os jovens legitimam como não violentos e que causam preocupação à UMAR. Por exemplo, 33% dos jovens inquiridos não considera que a proibição de sair seja uma forma de violência, ao passo que 64% considera que sim. Da mesma forma, 32% pensam que a proibição de estar ou falar com alguém também não constitui uma forma de violência no namoro. Uma percentagem semelhante àquela que se verifica em relação à proibição de sair sem o companheiro (33%).

Por outro lado, 34% dos jovens inquiridos consideram que mexer no telemóvel do parceiro não se inclui nos comportamentos considerados violentos, enquanto 64% dizem que sim, que a invasão da privacidade por parte do companheiro é violência no namoro.

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A proibição de vestir uma peça de roupa foi outra das questões colocadas aos jovens inquiridos. 37% legitimam este comportamento, 60% pensam que é violência e 3% optaram por não responder à questão. Já 30% dos inquiridos afirmam que pressionar para beijar em público não é errado.

Outro ponto avaliado neste estudo foi a legitimação de comportamentos violentos por rapazes e raparigas. Quando o tópico é a violência psicológica, 28,8% dos rapazes legitimam este comportamento, contra 20,6% das raparigas. Já quando a questão é sobre violência física, 13% dos rapazes consideram normal, ao passo que 6% das raparigas pensam este é um comportamento legítimo. No que diz respeito à violência sexual, a legitimação acontece por 32,5% dos rapazes e 14,5% das raparigas.

Ainda assim, o estudo conclui que, em comparação com dados de investigações anteriores, houve um “aumento de consciência”, por parte dos jovens, daquilo que é a violência no namoro. Ocorreu uma diminuição da legitimação de comportamentos violentos, embora tenha sido registado um aumento da vitimação. No entanto, o estudo refere que esse aumento pode significar o”reconhecimento dos comportamentos” violentos e não, obrigatoriamente, um aumento da violência.

As grandes conclusões do estudo passam pelo reconhecimento de que “em todas questões alguns jovens ainda legitimam a violência” e que em todas as situações “mais de 33% dos jovens” vê “as proibições de vestir determinadas peças de roupa, pegar no telemóvel do companheiro sem autorização e as proibições de sair” como comportamentos normais. Ou seja, “um em cada três jovens legitima estas formas de violência”. “A legitimação da violência no namoro é maior nos rapazes do que nas raparigas”, conclui também o estudo.

Tendo em conta os dados gerais recolhidos pela investigação, é ainda referido ainda que “permanece a necessidade e urgência de uma intervenção com os/as jovens o mais precocemente possível”, no sentido da prevenção.

Ilustrações de Milton Cappelletti

Editado por Pedro Esteves