O procurador da República Rosário Teixeira, responsável pela “Operação Marquês”, acusa José Sócrates de se esquecer “deliberadamente” de alguns factos e fundamentações apontados contra si para “provocar decisões contraditórias” na Justiça.

A informação é avançada pelo jornal Sol, na edição impressa. De acordo com o semanário, que teve acesso a uma resposta assinada pelo Ministério Público e pelo juiz Carlos Alexandre a um dos últimos recursos apresentados pelo ex-primeiro-ministro, Rosário Teixeira escreve que o “recorrente [José Sócrates] continua a fazer de conta que o Tribunal da Relação de Lisboa nunca se pronunciou sobre os indícios que lhe são imputados e sobre os juízes que lhe foram emitidos pelos tribunais superiores”.

As palavras do procurador parecem contrariar a versão apresentada por José Sócrates, que, desde o início do processo, tem dito em diversas ocasiões e entrevistas de que a acusação continua sem apresentar provas e indícios que justifiquem o processo que lhe foi interposto. Além disso, o ex-primeiro-ministro tem defendido que a “Operação Marquês” não é mais do que uma tentativa de assassinato político.

Ora, nesta resposta, Rosário Teixeira acusa José Sócrates de “não se inibir de insistir” numa tese já desmentida por todas as instâncias que já se pronunciaram sobre o caso e que “concluíram, de forma pacífica e uniforme, que há indícios fortes em relação aos factos e crimes imputados“.

A terminar a resposta ao recurso apresentado pela defesa do ex-primeiro-ministro, Rosário Teixeira assinala que “o que a conjugação racional e objetiva dos indícios revela é a prática, pelo arguido José Sócrates Pinto de Sousa, de ilícita complexa e alargada, (…) suscetível de integrar a prática de crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e dos crimes de corrupção passiva para ato ilícito (contrário aos deveres do cargo) relativamente ao empreendimento Vale do Lobo”.