Ambiente. As imagens da poluição no rio Tejo

Deputado do PSD acusa a fábrica de pasta de papel de ser responsável pela poluição no rio Tejo. Fala também em cumplicidade da Câmara de Vila Velha de Ródão. Com vídeo.

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A Celtejo "tem uma postura vergonhosa" e Câmara de Vila Velha de Ródão tenta "fechar os olhos", acusa Duarte Marques

PAULO CUNHA/LUSA

A Celtejo "tem uma postura vergonhosa" e Câmara de Vila Velha de Ródão tenta "fechar os olhos", acusa Duarte Marques

PAULO CUNHA/LUSA

O deputado social-democrata Duarte Marques acusa a Celtejo, uma fábrica de pasta papel em Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, de ser responsável por uma parte “significativa do problema de poluição do rio Tejo”. O parlamentar também não poupa críticas à câmara socialista de Vila Velha de Ródão, acusando-a de tentar “fechar os olhos” e de “assobiar para o lado”.

Numa denúncia publicada no Facebook, o deputado do PSD diz que não lhe “faltam provas” nem “restam dúvidas”: a “empresa tem uma postura vergonhosa, que nada tem a ver com outros concorrentes que, sendo do mesmo sector, não revelam este tipo de comportamento para com a natureza”.

Mais, continua o social-democrata: “A Celtejo tem uma ETAR sem capacidade para tratar os resíduos produzidos, há graves suspeitas de manipulação de análises e, segundo denúncias anónimas, alegadamente fazem descargas com poluição acima dos limites exigidos”.

A denúncia de Duarte Marques vem acompanhada por um vídeo gravado por um grupo de pescadores em pleno rio Tejo, em Vila Velha de Ródão, junto a um foco de poluição aparentemente proveniente das instalações da Celtejo.

A 4 de fevereiro, Luís Pereira, presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, foi ao Parlamento e denunciou aquilo que acreditava ser “uma caça às bruxas” e uma perseguição à autarquia. Mesmo reconhecendo a existência de alguns problemas em Vila Velha de Ródão, sobretudo com uma Estação de Tratamento de Águas Residuais na zona industrial, para o autarca o problema de poluição no rio Tejo está em Espanha e não em Vila Velha de Ródão.

“Sabemos que 80% da água do Tejo a 100 quilómetros da sua nascente é desviada para o sul de Espanha e sabemos que a 100 quilómetros da nossa fronteira [Portugal], temos uma das barragens mais poluídas de Espanha (Castrejón) onde surgem, à superfície da água, bolhas de metano” e “isso é algo que não vemos no Tejo, em Vila Velha de Ródão”, afirmou na altura, em declarações à agência Lusa. Luís Pereira defendeu ainda a Celtejo, a empresa no centro de todas as acusações, recordando que em 2015 a fábrica foi a primeira a certificar-se na ISO 14001.

Agora Duarte Marques vem agora contrariar essa versão. “Apesar das declarações recentes dos autarcas de Castelo Branco e de Vila Velha e Ródão, prestadas na Comissão de Ambiente da Assembleia da República, não me convenci que as águas do rio Tejo já vinham pretas de Espanha. No fim de semana passado fui com uns amigos a Vila Velha ver com os meus próprios olhos, antes e depois da fábrica de pasta de papel da Celtejo. As dúvidas, se alguma vez as houve, dissiparam-se, a água do rio é muito mais clara acima de Vila Velha”, escreve o social-democrata.

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