O ex-presidente do INEM, Paulo Campos, acusa o anterior Ministério da Saúde de o ter “silenciado” intencionalmente durante o processo disciplinar de que foi alvo e afirma que pretende processar todos os que que estiveram envolvidos no seu afastamento, incluindo a equipa ministerial que tutelava a Saúde no Governo de Pedro Passos Coelho.

Na primeira vez que Paulo Campos fala sobre o processo disciplinar que o afastou do cargo em outubro e que agora resultou na formalização da sua demissão, o ex-presidente do INEM assegura que, pelos factos provados, se verifica que atuou bem e que não tem dúvidas de que foi vítima de um “processo conduzido politicamente”, de um “saneamento político”.

“A cada tentativa que fiz para marcar entrevistas para explicar e defender a minha honra fui silenciado, e tenho provas disso escritas, durante todo o tempo com emails do então secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, que me impediu explicitamente de falar em público, com ordens diretas”, afirmou Paulo Campos esta terça-feira em conferência de imprensa quando questionado pelos jornalistas sobre a razão de apenas falar agora, um ano depois de o processo ter começado. “Façam o vosso juízo de valor”, acrescentou.

Para Paulo Campos, o processo “não termina aqui” e vai entrar agora para uma “segunda fase”, onde vai “agir administrativa e criminalmente com todos os agentes” que o “prejudicaram no processo”, disse. Entre os vários agentes que Paulo Campos tenciona processar encontra-se a anterior equipa do Ministério da Saúde, dirigida por Paulo Macedo.

Questionado sobre se também pretende incluir o atual Ministério da Saúde na lista de agentes a processar, Paulo Campos rejeita. “Confrontado com esta proposta acredito que o atual ministro teria dificuldade em lidar de outra forma com o assunto”, disse.

O atual ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou também esta terça-feira que demitiu o presidente do INEM “por recomendação” da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), que analisou a situação do dirigente. “O ministro da Saúde acompanhou aquilo que foram as recomendações da Inspeção Geral das Atividades em Saúde, tudo dentro daquilo que é a normalidade jurídica e a normalidade do funcionamento do Estado”, disse aos jornalistas

Esta segunda-feira Paulo Campos foi formalmente demitido do cargo de presidente do INEM pelo atual ministro da Saúde, depois de ter sido suspenso em outubro na sequência de um processo disciplinar da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde. Em outubro o então ministro da Saúde, Paulo Macedo, instaurou um processo disciplinar ao presidente do INEM na sequência da sua intervenção na transferência de uma doente de Cascais para Abrantes, em helicóptero do INEM, em janeiro de 2015. Em causa estaria o facto de Paulo Campos conhecer pessoalmente a doente, alegação que o ex-presidente do INEM nega.

“Ficou provado no processo que a doente não era minha amiga nem minha conhecida”, reafirmou esta terça-feira aos jornalistas, explicando que fez “tudo o que era possível fazer por esta doente, que é igual a todas as outras do Serviços Nacional de Saúde”. “Se não o tivesse feito estaria neste momento a ser acusado de negligência”, afirma, garantindo que “o INEM deu o tratamento adequado” à doente em causa.