O realizador polaco Andrzej Zulawski, cujo último filme foi produzido por Paulo Branco e rodado em Portugal, morreu esta quarta-feira aos 75 anos depois de uma longa batalha contra o cancro, confirmou fonte da Associação Polaca de Cineastas, citada pela France-Presse.

Na terça-feira, o filho do realizador, o cineasta Xawery, escreveu no Facebook que Zulawski sofria de um cancro em fase terminal e que estava a ser submetido “a intensos tratamentos” num hospital polaco. “É muito difícil escrever estas palavras, mas é especialmente importante agora que o seu último filme [Cosmos] começa a ganhar vida própria… Pensem nele”, disse Xawery.

Cosmos, lançado em 2015, é uma “comédia metafísica”, como lhe chamou o crítico do Hollywood Reporter, baseada no romance homónimo de Witold Gobrowicz. O filme assinalou o regresso de Zulawski ao cinema, depois de 15 anos sem filmar. Rodado em Portugal e produzido pelo realizador Paulo Branco, Cosmos com a participação de vários atores portugueses, entre os quais Victoria Guerra. Em agosto do ano passado, conquistou o prémio de Melhor Realização do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça.

Um artista “controverso, mas sempre fiel a si próprio”

Andrzej Zulawski nasceu em Lwów (atual Lviv), na Ucrânia, em 1940. Aos cinco anos, partiu para Paris com os seus pais onde, mais tarde, estudou na conceituada Universidade Sorbonne. No final dos anos 50 regressou à Polónia, onde se tornou assistente do realizador Andrzej Wajda. 

Estreou-se na realização em 1971, com A Terceira Parte da Noite. Quando o seu segundo filme, O Diabo (1972), foi proibido na Polónia, decidiu regressar a França, onde produziu aquela aquela que é considerada a sua obra prima, O Importante é Amar (1975). Desde então, tem vivido e trabalhado sobretudo em França, onde produziu a maioria dos seus filmes.  

Em declarações à France-Presse, o crítico de cinema Janusz Wroblewski afirmou que a morte de Zulawski “é uma grande perda para o cinema polaco e para o mundo”. “Os seus filmes são considerados clássicos do cinema mas, na altura, eram de vanguarda. Ele era provocador, derrubou muitos estereótipos polacos e introduziu o erotismo nos seus filmes“, acrescentou. 

Em declarações à emissora polaca Polsat, Jacek Bromski, presidente da Associação Polaca de Cineastas, lembrou o “artista muito original, por vezes controverso, mas sempre fiel a si mesmo“.