O PS considerou que o relatório da UTAO contraria, “em grande medida, uma certa histeria mediática que se criou em torno da credibilidade” do cenário macroeconómico da proposta de orçamento, apresentada pelo Governo.

Em declarações à agência Lusa, o deputado do PS João Galamba elogiou o trabalho “muito competente” da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que apresentou na quarta-feira a versão final da sua análise à proposta do Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) do Governo.

“O relatório da UTAO desmente, em grande medida, uma certa histeria mediática que se criou em torno do orçamento, embora a UTAO aponte riscos positivos e negativos, como fez em relação a todos os orçamentos”, disse o deputado, referindo que a análise da UTAO “se pronuncia detalhadamente sobre os pressupostos” das previsões do Governo e também do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Comissão Europeia.

Para o deputado socialista, a avaliação dos técnicos independentes que apoiam o parlamento indica que “a estimativa do Governo, não só é fundamentada, como é conservadora”, e que, no caso do consumo, “o risco é ascendente, ou seja, pode crescer mais”, admitindo que “os ganhos das medidas de apoio ao rendimento que estão no OE2016 devem ter um impacto no consumo privado que até deve ser maior do que o que está previsto”.

Além disso, o deputado João Galamba disse que, “se se comparar o que a UTAO disse sobre o Programa de Estabilidade, do anterior governo, com o que diz agora, a conclusão é evidente e é que este quadro macroeconómico é significativamente mais credível do que o anterior”.

No seu relatório final sobre a proposta orçamental, a UTAO recorda que o contributo do consumo privado passará de 1,7 pontos percentuais em 2015 para 1,6 pontos percentuais, o que está “em linha com o ligeiro abrandamento do crescimento”, que será de 1,8% em 2016.

Os técnicos indicam ainda que “o cenário do OE2016 considera uma desaceleração do consumo privado, apesar do aumento previsto para as remunerações”, o que se justifica com a previsão de “um ligeiro aumento na taxa de poupança”.

Em relação à taxa de poupança, a proposta do OE2016 antecipa um ligeiro aumento, de 4,7% em 2015 para os 4,8% do rendimento bruto disponível em 2016, uma subida que a UTAO afirma ser “consistente com a projeção para a continuação do aumento do consumo privado”.