A partir de julho, o Museu Calouste Gulbenkian e o Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão (CAM) irão passar a fazer parte de uma mesma entidade, que passará a ser conhecida apenas como Museu Calouste Gulbenkian, anunciou esta sexta-feira Teresa Gouveia, membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.

À frente da instituição ficará Penelope Curtis, atual diretora do Museu Calouste Gulbenkian. Em setembro do ano passado, quando Curtis foi nomeada, a fundação anunciou que a curadora e historiadora de arte britânica, que foi responsável pela Tate Britain, viria também a dirigir o CAM, assim que o mandato de Isabel Carlos terminasse.

A junção das duas entidades tem como objetivo promover um diálogo entre as duas coleções — a do Museu, que reflete o gosto do fundador, e a do CAM, criada após a sua morte e que resulta da ação da Fundação Calouste Gulbenkian –, articulando de forma mais eficaz os dois núcleos museológicos. “Juntas oferecem uma longa panorâmica da produção artística, desde a antiguidade aos nossos dias“, refere uma nota divulgada esta sexta-feira à comunicação social.

“A Fundação Calouste Gulbenkian sempre identificou a necessidade de articular, de forma mais eficaz, os seus dois núcleos museológicos, de modo a criar sinergias e a potenciar as virtualidades das duas coleções afirmando as suas diferenças ao nível da programação, mas também da comunicação externa, tentando cruzar os públicos que os frequentam.”

A junção das duas coleções, será complementada com um novo modelo de organização, que integrará equipas transversais aos dois museus. “Pretende-se, assim, agregar os núcleos museológicos num único museu, com o nome do nosso fundador, valorizando as duas coleções por meio de uma atração cruzada de públicos e procurando que sejam visitadas por um número cada vez maior de pessoa”, acrescenta a mesma nota.

“As duas coleções nunca deixarão de ser encaradas como coleções distintas — uma fechada e outra aberta, em contínuo crescimento — pretende-se, deste modo, estimular as pontes e a articulação entre ambas.”

Este diálogo entre as duas coleções museológicas será visível já a partir de maio, altura em que será inaugurada a exposição “Kumkapi: Tapetes Voadores”, que apresentará pela primeira vez ao público um conjunto de tapetes turcos Kumkapi do século XIX e XX. Estes serão expostos ao lado de um tapete criado recentemente por Mehkitar Garabedian, um dos artistas representados no Pavilhão da Arménia da última Bienal de Veneza. A exposição estará patente no Museu Calouste Gulbenkian de 12 de maio a 12 de setembro.

A esta, seguir-se-á em junho a inauguração da exposição “More or Less”, que assinala os 60 anos da Fundação Calouste Gulbenkian. Tomando o ano de 1956 como ponto central, “More or Less” irá recuar e avançar no tempo, cruzando obras das duas coleções que representam diferentes versões do conceito de modernidade. A exposição poderá ser visitada de junho a dezembro deste ano.