Um Orçamento do Estado inconsistente e um líder desnorteado, apostado em controlar todos que não concordam com ele. É este o diagnóstico de Pedro Passos Coelho sobre os dois meses de governação socialista. No encerramento das jornadas parlamentares do PSD, o líder social-democrata não poupou críticas a António Costa, acusando-o de ter “falta de cultura democrática”, e a Mário Centeno, o principal responsável por um Orçamento que “já foi tudo e o seu contrário”.

Começando pelas críticas ao Orçamento. Passos não tem dúvidas: “Este Orçamento não traduz uma estratégia clara, nem do ponto de vista económico, nem do ponto de vista financeiro. Não parece atender às restrições que temos [e] está totalmente desenquadrado de qualquer perspetiva de médio prazo”. No fundo, continuou, é feito bem à medida do PS. “Os socialistas enquanto há dinheiro gastam-no. Quando não há dinheiro fazem o milagre da multiplicação.

Mesmo com todas as falhas apontadas ao Orçamento do Estado, o PSD só deve “determinar o sentido de voto” em relação a esta matéria na reunião de segunda-feira da comissão permanente nacional do partido, revelou Pedro Passos Coelho, em Santarém, antes de se lançar definitivamente a António Costa.

Para o o presidente do PSD, as recentes declarações de António Costa e de Carlos César sobre o governador do Banco de Portugal indiciam intolerância e “falta de cultura democrática“. Este “ataque descabelado” a Carlos Costa é “inaceitável” e um sintoma do “desnorte” que tomou o Governo, “que sabe que para conduzir esta estratégia em que mergulhou precisa de controlar tudo e todos e de ter quem o obedeça“.

Palavras duras de Passos que, todavia, não se ficou por aí. O líder social-democrata lembrou as críticas do PS a Cavaco Silva, “que, apesar de muitos se esquecerem, ainda é o Presidente da República em funções”. Ele, Cavaco Silva, que foi um dos Presidentes “mais atacados em Portugal pelos partidos políticos de maior radicalismo e populismo em Portugal, mas também pelo PS”, denunciou Passos.

Com as críticas dos socialistas a Carlos Costa e a Cavaco Silva como exemplo, Passos lançou nova acusação aos socialistas: “O PS tem-se comportado dentro da lógica ‘eu quero, posso e mando’. Não são tolerantes e atacam violentamente” quem deles discorda.

“O que vamos dizer aos investidores europeus? Que nos estamos a transformar num país em que todos os que não concordam connosco têm de ser removidos porque só aceitamos a unicidade da decisão que o Governo tomou?”, questionou o líder social-democrata.

Este foi, de resto, um ponto de honra no discurso do ex-primeiro-ministro. Nestes dois meses, o PS especializou-se em “desbaratar” tudo o que foi conseguido pelo anterior Governo, incluindo a confiança reconquistada, quer no plano internacional, quer entre investidores. E ninguém vai querer investir num país, diz Passos, mergulhado na incerteza e controlado por um Governo marcadamente eleitoralista.

“Posso garantir que, com a experiência que tenho, que um Governo que está preocupado em construir um futuro nos quatro anos seguintes a uma legislatura, não descarrega uma cartucheira à espera do efeito imediato“, insistiu, a terminar, Pedro Passos Coelho.