A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) quer reabilitar e abrir ao público o castelo que foi sede dos Templários em Portugal, uma parte do complexo de 4,2 hectares de área construída que integra o Convento de Cristo, em Tomar.

“Uma das pedras de toque deste complexo monumental é o facto de coexistirem aqui, além de muitos séculos de história, duas unidades históricas e arquitetónicas. É vulgarmente conhecido como Convento de Cristo, mas o conjunto monumental integra também o Castelo Templário, sede dos Templários em Portugal”, disse à agência Lusa a diretora do Convento de Cristo.

Andreia Galvão afirmou que este é um dos projetos que a DGPC, que tutela o monumento, quer candidatar a fundos comunitários para criar condições de “visitação e interpretação” que permitam a abertura permanente ao público da Alcáçova e da Torre de Menagem do castelo fundado em 1160 por Gualdim Pais.

Quando tomou posse, há dois anos, Andreia Galvão apercebeu-se que “a identidade do Castelo Templário estava um pouco esquecida, se não quase inexistente”. Foi feito um trabalho de “ir abrindo nos dias em que é possível”, mas, sublinhou, o castelo “não reúne ainda condições de visitação e de interpretação para estar permanentemente aberto ao público”, pelo que esta será “uma das grandes apostas da DGPC”, estando a ser preparada uma candidatura a fundos comunitários no âmbito do Portugal 2020, enquadrada “numa visão estratégica do monumento”.

Para Andreia Galvão, o projeto pode ser “potenciador da própria região”, uma vez que, a partir daqui, pode ser criado um itinerário turístico-cultural pela “linha de defesa do Médio Tejo”, resultante da ação de Gualdim Pais, que fundou ainda os Castelos de Almourol, Idanha ou Pombal, entre outros. “O interesse destes projetos não é só o investimento cash sobre a reabilitação, embora este Castelo, reconhecido como um dos mais importantes da história da arquitetura militar portuguesa e peninsular, se não mesmo europeia, o mereça. São investimentos que, ao serem bem trabalhados em rede, na região e no território, acabam por ser altamente potenciadores do desenvolvimento”, afirmou.

Outro projeto que está a ser preparado pela DGPC para candidatura a fundos comunitários é o de uma nova entrada e espaço de acolhimento de visitantes, “com uma capacidade e funcionalidades que a atual não tem”. No âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, vai igualmente ser candidatada a fundos comunitários a reabilitação do Aqueduto dos Pegões, construído para abastecer de água o Convento de Cristo, uma estrutura com cerca de seis quilómetros de extensão “durante muitos anos esquecida” e que o empenho de movimentos cívicos e dos diversos órgãos autárquicos pode agora ajudar a recuperar.

Num país em que o mecenato cultural é “muito difícil”, Andreia Galvão salientou o apoio da Cimpor para o restauro da Charola do Convento de Cristo, exemplo que gostaria de ver replicado, nomeadamente para projetos de menor monta, como a ambição de trazer o século XXI e as novas tecnologias para o Convento. “Seria muito interessante encontrar um mecenas que permitisse termos wireless” para itinerários temáticos para os visitantes que preferem o “auto percurso”, permitindo a “interpretação e a relação com o espaço de visitação”, que inclua a própria cidade, disse.

Andreia Galvão realçou a aposta que tem vindo a ser feita na comunicação, no trabalho em rede e na realização de parcerias, com escolas, universidades, autarquias e museus, procurando levar outros públicos a um monumento que se tornou num dos mais visitados do país. “Em 2015 fomos visitados por 254.313 pessoas, mais 50 mil do que no ano anterior. Fomos o terceiro monumento da tutela da DGPC mais visitado, a seguir ao conjunto Jerónimos/Torre de Belém e à Batalha”, sublinhou Sandra Costa, a responsável pela comunicação do Convento de Cristo.