A Casa da Música esconde vários segredos no seu interior. Entre eles um curso de água no subsolo. Mas os segredos começam logo com a manutenção de 1,2 milhões de euros todos os anos, segundo o gestor do edifício, Gilberto Gomes, que mostrou à Lusa detalhes que a icónica obra do Porto.

Durante uma visita guiada ao edifício, ficou a saber-se também que uma parte substancial da sua manutenção “é feita com o recurso a ‘alpinistas'”, desde logo a limpeza motivada pela ação das gaivotas na claraboia sobre o restaurante da Casa da Música.

“Elas utilizam o edifício como poiso ou aeroporto”, gracejou o engenheiro sobre uma ação reiterada das aves que, explicou, “ao posicionarem-se na claraboia que permite a iluminação do restaurante, ali deixam os seus excrementos”.

A instalação de uma “linha anti-gaivota”, que consiste nuns cabos atravessados na claraboia para lhes dificultar a permanência, “não teve o resultado esperado”, lamentou à Lusa o responsável pela manutenção pois, “por vezes, atravessam os cabos, ficando presas”, tendo de “recorrer-se aos ‘alpinistas’ para as retirar e proceder à limpeza dos dejetos”.

Mas não se fica por aqui o recurso àqueles profissionais que, pelo menos duas vezes por ano, têm de fazer a limpeza e manutenção dos exteriores mas também dos interiores – por exemplo, quando é preciso substituir a sanca de iluminação de acesso à sala Suggia, principal sala de espetáculos do icónico edifício do Porto.

Com uma área de 25 mil metros quadrados, a Casa da Música é também, para alguns funcionários, uma “espécie de ginásio”, conta Gilberto Gomes, explicando que há quem diariamente suba e desça as escadas entre o piso zero e o sétimo para fazer algum exercício”. O número total de degraus é de 1.288.

A praça exterior da Casa da Música começou por ser um local “proibido” “à circulação e permanência dos ‘skaters'”, mas a situação alterou-se. Ao fim de algum tempo, disse a fonte, havia “centenas de pessoas a praticar ‘skate’ e os impactos nos vidros rentes ao chão resultaram em prejuízos ao longo dos últimos anos”.

Gilberto Gomes já contabilizou cinco vidros partidos, “custando cada um entre seis e sete mil euros”.

Numa casa onde há 800 portas, uma delas pesa 900 quilos, “há um lençol freático de cerca de três ou quatro metros a correr no seu subsolo”, contou o responsável pela manutenção, que supervisiona diariamente “quatro bombas que trabalham 24 horas por dia, sete dias por semana para evitar inundações”.

Vinte metros abaixo do piso zero há também “maquinaria do tamanho de uma locomotiva para o combate a incêndios”, controlada por aqueles que sete dias por semana e quase sempre longe da luz solar fazem o seu trabalho. “São, por isso, apelidados por alguns de toupeiras ou de morcegos”, gracejou Gilberto Gomes.

Inaugurada a 15 de abril de 2005, ano em que eram já velhas as comparações do edifício com um meteorito ou uma nave espacial aterrada no centro do Porto, a Casa da Música foi construída sob projeto do arquiteto holandês Rem Koolhaas.