Há roupa adequada aos momentos. Mais formal, descontraída, confortável, sexy, discreta e por aí em diante. O objetivo, normalmente, é tentar criar um determinado efeito no outro. Mas que efeito tem o vestuário em quem o usa?

Ora, o El País recolheu vários trabalhos de autores que se versaram nesta matéria para tentar chegar a conclusões.

Carmen Miranda e a confiança

Um exemplo de alguém que analisou a influência da roupa foi Emily Balcetis, uma psicóloga que levou a cabo um estudo em que pediu aos seus alunos que efetuassem um caminho específico dentro do campus da universidade. Mas uns fizeram-no com a roupa que utilizavam diariamente e outros tinham que percorrer o caminho vestidos ao estilo Carmen Miranda (com chapéu de frutas). Depois de percorrido o trajeto, foi perguntado aos alunos quanto tempo pensavam ter demorado terminar o caminho – os que estavam vestidos à Carmen Miranda achavam que tinham demorado mais tempo do que os vestidos com a sua própria roupa. No entanto, aqueles que se vestiram como a cantora brasileira, porque quiseram, foram os que pensavam ter demorado menos tempo, e a razão é uma: porque se estavam a divertir.

Ou seja, quando utilizamos um disfarce por brincadeira, ou porque queremos, a confiança sobe. E é este o sentimento que as pessoas escolhem em primeiro lugar como condição em relação à roupa que vestem. Este foi o resultado de uma sondagem feita por Karen J. Pine a 400 pessoas. Só depois o motivo se relaciona com o “chamar a atenção”, o ser sexy ou mostrar o corpo.

A matemática e os fatos de banho

Outra autora citada no texto é a psicóloga Barbara Fredrickson, que colocou homens e mulheres a resolver problemas de matemática. A roupa entra aqui, porque uns vestiam uma camisola larga e outros um simples fato de banho. Assim, as mulheres que utilizavam o fato de banho tiveram resultados piores – nos homens não houve diferença.

A conclusão que se retirou desta experiência foi a de que as mulheres, por terem corpos que são constantemente avaliados, acabam por se concentrar mais nos seus próprios corpos tentando adotar a perspetiva que vem de fora. Isto quando o corpo está mais a descoberto.

Blazer e gravata = poder

Investigadores da Universidade Columbia e da Universidade de Nova Iorque chegaram à conclusão que os homens que se vestem formalmente, em concreto com blazer e gravata, tendem a pensar de forma mais abstrata. E isso deve-se ao sentimento de poder que advém da utilização deste tipo de vestuário. Na prática, esta indumentária ajuda a não receber críticas de forma pessoal e a evitar tomar decisões impulsivas.

O uniforme e o sentido de responsabilidade

Philip Zimbardo, professor de psicologia, protagonizou ainda um famoso estudo que pode também revelar conclusões nesta área. Em 1971, dividiu um grupo de 24 alunos em prisioneiros e guardas numa prisão falsa. A consequência foi a criação de uma cadeia de poder e abuso do mesmo. A experiência correu mal, porque se descontrolou e foi cancelada dias depois. Mas foi o suficiente para se concluir que a roupa influenciou também a estrutura de poder que se formou e que, quando nos vestimos de maneira igual aos outros, o sentido de responsabilidade pode diminuir.

Mas Zimbardo não se ficou por aqui. Noutro estudo, o professor colocou um grupo de mulheres a provocar descargas elétricas, sem saberem que eram falsas, a outra pessoa. Metade utilizava uma chapa com o seu nome e a outra vestia uma túnica com um capuz – idêntico ao utilizado pelos elementos do Ku Klux Klan. As descargas das mulheres disfarçadas demoravam o dobro do tempo das do primeiro grupo. Isto é, havia aqui uma desresponsabilização devido ao disfarce.

Em 1979, o mesmo investigador fez a mesma experiência, mas com mulheres disfarçadas de enfermeiras. E as descargas destas mulheres eram menos agressivas e duravam menos tempo.

Vermelho é sexy e o preto agressivo

Já se estudou muito esta matéria. De tal forma que as conclusões já quase se tornaram do senso comum. Mas um grupo de investigadores da Universidade de Liverpool realizou um estudo com várias pessoas que consideravam as mulheres que se vestiam com a cor vermelha mais bonitas do que as que se vestiam de branco. Para além disso, concluíram que os efeitos abrangem os próprios utilizadores da roupa desta cor.

Em relação à cor preta, em 1988 utilizou-se um jogo de hóquei, onde uma equipa utilizava um equipamento negro e outra um equipamento branco. Os espectadores tiveram a mesma sensação dos jogadores – os de preto eram mais agressivos.