O Banco de Portugal vai receber nesta quarta-feira, pela primeira vez após a polémica recente e em mais de um ano, representantes da associação de “lesados do BES”, numa reunião que está a ser preparada de forma discreta e que surge em antecipação a um outro encontro – no final desta semana – entre o Banco de Portugal, a CMVM e os representantes do governo.

A informação foi transmitida ao Observador por fonte com conhecimento do processo. Na reunião, marcada para as 17h, estará presente José Brito Antunes, homem próximo de Carlos Costa e adjunto do gabinete jurídico do Banco de Portugal, e o presidente da associação que defende os “lesados do BES” – Ricardo Ângelo – acompanhado de advogados da associação.

Depois da reunião da sexta-feira passada, que sentou à mesa o Banco de Portugal, a CMVM e representantes do governo, haverá uma nova reunião no final desta semana – em que os representantes dos lesados ainda não estarão presentes. Mas o Banco de Portugal quis ouvi-los, nesta fase, e daí a marcação desta reunião para quarta-feira.

Contactada pelo Observador, fonte oficial do Banco de Portugal prefere não fazer comentários. O Observador contactou Nuno da Silva Vieira, advogado responsável pela estratégia jurídica da associação dos lesados, que também não quis fazer comentários nesta altura.

A última reunião entre o Banco de Portugal e a associação aconteceu há mais de um ano, em fevereiro de 2015, após a qual o Banco de Portugal emitiu um comunicado em que dizia ter tomado a “devida nota das questões colocadas pelos representantes da associação, a quem foram prestados, no decurso da reunião, esclarecimentos”. Entre esses esclarecimentos estava que “o reembolso de títulos de dívida que não foram emitidos pelo BES – ainda que tenham sido colocados por esta entidade – é da exclusiva responsabilidade dos respetivos emitentes, uma vez que são estes os devedores dos créditos relativos a esses títulos”.

Entretanto, depois de mais de um ano, a falta de progressos nesta matéria levou a que a questão dos chamados lesados do BES tenha estado no centro de uma controvérsia que levou o primeiro-ministro, António Costa, a criticar publicamente o Banco de Portugal e a sua liderança (Carlos Costa). António Costa lamentou na semana passada “a forma como o Banco de Portugal tem vindo a arrastar uma decisão”, António Costa disse que tinha “esperança que tão rapidamente quanto possível, o Banco de Portugal assuma definitivamente a posição responsável que tem faltado nesta matéria”, disse.