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Aqui, ninguém quer ser médico e ganhar 240 mil euros ao ano

Alan Kenny já pediu ajuda a quatro agências de recrutamento, mas há quatro meses que nem uma candidatura recebe de um médico que queira trabalhar na sua clínica em Tokoroa, na Nova Zelândia.

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Tokoroa fica a pouco mais de 200 quilómetros de Auckland, na ilha Norte da Nova Zelândia. Tem cerca de 13 mil habitantes e a média de idades está nos 44 anos

Tokoroa fica a pouco mais de 200 quilómetros de Auckland, na ilha Norte da Nova Zelândia. Tem cerca de 13 mil habitantes e a média de idades está nos 44 anos

Está a folhear as páginas de um jornal ou, para fazer jus aos tempos modernos, está a passear com o rato pela internet. É médico e procura emprego. Às tantas, encontra algo que lhe chama a atenção: quase 243 mil euros de salário anual, líquido, numa clínica privada, três meses de férias e a garantia de as noites e os fins de semana serem sagrados. Aí, não se trabalha. Espetáculo, não? Talvez, só falta saber onde fica isto. Lê que é em Tokoroa e o Google Maps diz-lhe que esta cidade fica na ilha Norte da Nova Zelândia, bem lá do outro lado do mundo. É um sítio rural e pacato, com pouco mais de 13 mil habitantes, uma oportunidade de fugir do caos urbano e ganhar um bom dinheiro. Ou não.

Porque esta vaga de emprego existe, sim senhor, e há mais de quatro meses que ninguém acaba com ela. E Alan Kenny já não sabe o que há de fazer. Tem 61 anos, é inglês e há décadas que vive na Nova Zelândia.

Passou os últimos 30 a tomar conta da clínica que abriu em Tokoroa, a pouco mais de 200 quilómetros de Auckland, a maior cidade da ilha, e não vê a hora de arranjar um médico que lhe faça companhia e alivie um pouco a carga de trabalho que tem. “O ano passado tive de cancelar as férias porque não consegui arranjar um substituto temporário. E esta ano vou ter de fazer o mesmo, provavelmente”, lamenta Kelly, vítima do próprio sucesso da clínica.

Hoje tem cerca de 6.000 pacientes listados na clínica e o que é bom para o negócio é mau para a vida deste médico. Quando o New Zealand Herald o visitou, Alan Kenny tinha visto 43 pessoas no dia anterior, quando as diretivas do Royal College of General Practitioner (medicina geral) do país recomendam que esse número não exceda os 25. “Só por ganhar muito dinheiro não quer dizer que queira matar-me a trabalhar”, admitiu ao jornal. E ganha mesmo muito: o salário médio em Tokoroa para pessoas com mais de 15 anos ronda os 10 mil euros. Mas os mais de 243 mil que está a oferecer não parecem ser suficientes para deixar de ser o único médico na clínica.

Kenny recorreu a quatro agências de recrutamento e nenhuma foi capaz de encontrar uma pessoa. Nos últimos quatro anos, aliás, nem recebeu qualquer candidatura ao cargo, o que o faz queixar-se da perceção que diz estar instalada na Nova Zelândia — de que exercer medicina numa área rural não é uma carreira de futuro. “Adoro o que faço e gostava de continuar a fazê-lo, mas estou a bater com a cabeça na parede para atrair médicos para a clínica”, queixou-se, não querendo imaginar como será na altura em que a idade lhe pedir para se reformar: “Se já é difícil encontrar alguém para trabalhar comigo, será um trabalho dos diabos para arranjar um médico que me substitua”.

Pode ser que tenha sorte

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Se for médico, estiver disposto a ter uma aventura e tiver pena do doutor Alan Kenny, não custa nada tentar a sua sorte:

Tokoroa Family Health

Telefone: 0064 07 886 5431
E-mail: admin@tokhealth.co.nz

Por agora, nem o “salário ridículo” parece ser capaz de seduzir um médico. “Posso oferecer um salário mesmo, mesmo fantástico. É incrível. A clínica explodiu no último ano e quantos mais pacientes tivermos, mais dinheiro fazemos. Mas, ao fim ao cabo, acabam por ser demasiados”, confessa Alan Kenny, cujo horário laboral que vai das 9h às 18h nem sempre dá para enfiar uma hora de almoço pelo meio.

Kenny suspeita que grande parte da culpa venha de Auckland, onde está a maior escola de medicina da ilha. “A maioria dos miúdos que estudam lá são de família ricas. Se recrutassem mais estudantes em zonas rurais, talvez eles viessem depois para aqui”, argumenta. Na Nova Zelândia, quase um terço das vagas para medicina geral são ocupadas por médicos estrangeiros: em 2014, escreve o New Zealand Herald, citado dados da Royal College of General Practitioner, 37% das clínicas em zonas rurais tinham vagas disponíveis, comparado com os 43% das clínicas em áreas urbanas. O problema, como Alan Kenny pode atestar, é que é difícil convencer médicos a trabalharem longe das grandes cidades.

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