Portugal pode colaborar com a Tunísia na formação das forças de segurança, em particular no controlo das fronteiras, estando prevista uma reunião entre os ministros da tutela dos dois países, anunciou o chefe da diplomacia portuguesa, em Tunes.

“Estamos a preparar um encontro ao nível dos ministros do Interior [Administração Interna, no caso português]”, disse à Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no final do primeiro dia da visita oficial à Tunísia, que termina na quinta-feira.

O tema foi abordado durante uma reunião que o ministro português manteve com o responsável tunisino da pasta do Interior, Hedi Majdoub.

“Pensamos que Portugal tem capacidades e experiência no domínio do controlo das fronteiras que serão muito úteis à Tunísia, que tem problemas de vizinhança que são claros para todos”, referiu Santos Silva.

A Tunísia tem uma fronteira aberta de 500 quilómetros com a Líbia, onde a situação é instável e o extremismo tem avançado.

Portugal pode cooperar com as suas forças de segurança, nomeadamente o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que “têm experiencia e disponibilidade sobretudo na formação de agentes locais”, acrescentou.

“O segredo na cooperação nestes domínios é a capacitação institucional, isto é, ajudar os países a construírem o seu próprio aparelho de segurança e instituições de segurança”, considerou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Santos Silva apontou que a Tunísia “foi vítima de três grandes atentados terroristas, claramente dirigidos contra a sua economia, contra o seu modo de vida e contra as suas instituições políticas e de segurança” e defendeu que “o papel da Tunísia na luta contra o terrorismo deve ser apoiado”.

O governante acredita que a Tunísia tem dado uma “resposta admirável, porque não se vê nas ruas nenhum sinal de alarme”, e acrescentou que essa é a reação certa: “A melhor forma de responder ao terrorismo é nós não abdicarmos da nossa vida”.

O terrorismo fez parte da agenda do governante português também quando visitou hoje o Museu do Bardo, na capital tunisina, o segundo maior museu do mundo árabe, a seguir ao Museu do Cairo (Egito).

Na entrada do edifício, um mosaico evoca os nomes e nacionalidades das 21 vítimas mortais do atentado, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, em março do ano passado.

O ministro depositou uma coroa de flores neste local, com uma faixa com as cores da bandeira portuguesa onde se lê “Homenagem do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal – 24 de fevereiro 2016”.

“Impressiona como é a cegueira e a sanha bárbara do terrorismo, que ataca o coração da cultura e ataca e destrói a vida de pessoas que o único crime que cometeram foi tentar ver e admirar os testemunhos deixados pelos seus antepassados”, lamentou.