O ministro dos Negócios Estrangeiros, e números dois de António Costa, reafirma esta quinta-feira, em entrevista à Antena 1, a necessidade de haver consensos à direita em matérias de soberania e defende que Marcelo Rebelo de Sousa pode mesmo vir a dar um empurrão nesse sentido. Augusto Santos Silva afasta ainda a discussão prematura da renegociação da dívida. “Não faz mossa ao Governo”, mas o tema não consta do programa do Governo pelo que o debate não deve ser feito para já, diz.

“Por natureza o Presidente da República ajuda a construir consensos”, começou por dizer o governante, acrescentando que a própria figura e personalidade do Presidente eleito ajuda ainda mais à criação dessa ponte entre a esquerda e a direita. “Até pela maneira como se posicionou ideologicamente, dizendo que era a esquerda da direita. Julgo que essa expressão se destinava a valorizar o contributo que podia trazer para o consenso, que é uma imagem de marca da democracia portuguesa em diferentes áreas de soberania”, afirmou.

Já esta semana, em entrevista ao jornal Público, Santos Silva tinha considerado “absolutamente necessário” haver consensos entre PS e PSD relativamente à justiça, segurança interna, defesa nacional, política europeia e política externa. Os consensos “já existiram, continuam a existir e é importante para o país que continuem a existir”, disse na altura.

Debater a dívida sim, mas não já

Sobre a questão da reestruturação da dívida, tema levantado pelo PCP e pelo BE em plena discussão do Orçamento do Estado, o número dois do Governo socialista liderado por António Costa defendeu que a questão vai ser discutida “de forma direta ou indireta” já em abril, aquando da discussão europeia do Plano de Estabilidade e dos Planos nacionais de reformas, pelo que é prematuro abrir o debate já – e de forma unilateral.

Deixando elogios aos parceiros de esquerda que apoiam o Governo, o ministro mostrou-se convicto de que vai haver entendimento entre os partidos sobre a reestruturação da dívida tal como houve “em relação às outras questões que foram levantadas e onde foi preciso entendimento”. Ou seja, se PS, PCP, BE e Verdes são capazes de negociar e aprovar um Orçamento também serão capazes de discutir o tema da dívida de forma convergente.

Ainda assim, Santos Silva não critica o facto de os partidos mais à esquerda terem levantado o tema em plena discussão do Orçamento, afirmando que “não faz mossa nenhuma ao Governo”. Certo é que, lembra, o tema não faz parte dos acordos assinados à esquerda, não consta do programa de Governo, e portanto, “se não houver qualquer alteração, não vejo qualquer razão para que a questão se coloque agora”, diz.