Gente a quem a lei da gravidade não diz nada e que não sente dor quando atravessa telhados ou paredes de tijolo; com habilidades fora do normal quando é hora de manejar armas; e incansáveis herdeiros das melhores tradições que geraram a história das artes marciais. Era o que acontecia em “O Tigre e o Dragão”, filme que em 2000 colecionou críticas em que a nota mínima eram quatro estrelas em cinco. Foi nomeado para seis Óscares, incluindo Melhor Filme, e conquistou — além de outros três — o prémio para Melhor Filme Estrangeiro. Agora, 16 anos depois, a Netflix apresenta a sequela: “Crouching Tiger Hidden Dragon: Sword of Destiny”. A estreia mundial acontece esta sexta-feira, para contentamento de muitos e preocupação de outros.

A história é a do costume, seguindo o princípio que Ang Lee aplicou no primeiro filme: amores perdidos, espadas escondidas que prometem a salvação face a um mal aparentemente indestrutível e a mistura das duas coisas numa só história. Pelo meio há todo o desfile de acrobacias entre murros e pontapés, o mesmo que formou boa parte do sucesso da fita anterior.

Umas linhas acima falávamos em “estreia mundial” mas a verdade não é bem essa. O filme já chegou às salas de cinema da China e de Hong Kong, no final da semana passada. E vai ser projetado nuns quantos Imax dos EUA. A questão sensível está relacionada com o lançamento simultâneo do filme através do serviço Netflix. “Uns quantos” Imax são na verdade menos de 20, num país que tem cerca de 400 destas salas, porque quase todos os cinemas recusam-se a ocupar cartaz com um filme que a maior parte das pessoas previsivelmente vai ver em casa.

Mas “Crouching Tiger Hidden Dragon: Sword of Destiny” é uma produção Netflix, a terceira longa-metragem, depois de “Beasts of No Nation” e “The Ridiculous 6”. E o serviço americano não tem dado mostras de querer parar de conquistar terreno e mercado. Ainda há poucas semanas estiveram no festival de Sundance, onde investiram milhões na compra dos direitos de distribuição de novos filmes — a mesma política seguida pela Amazon, na verdade.

Os próximos filmes produzidos pela Netflix que já contam com data de estreia são “Pee-wee’s Big Holiday”, a recuperação da famosa personagem, agora com realização de John Lee e argumento de Paul Reubens e Paul Rust (18 de Março); e “Special Correspondents”, remake do filme francês “Envoyés Très Spéciaux”, de 2009, desta vez com autoria de Ricky Gervais.