A Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT) do Novo Banco defende a nacionalização da entidade perante a iminente saída de 1.000 funcionários em 2016, 500 dos quais sob a forma de despedimento coletivo, números que lhe foram hoje comunicados.

“A Comissão Nacional de Trabalhadores, pensando no futuro dos nossos trabalhadores e seus familiares, entende que a nacionalização do Novo Banco seria a decisão mais justa e correta, o que aliás já defendemos, nas reuniões que tivemos em dezembro passado com o Ministério das Finanças e com os grupos parlamentares”, lê-se num comunicado.

Esta estrutura que representa os trabalhadores do banco de transição que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES) denunciou hoje que o plano de reestruturação do Novo Banco implica a saída de 1.000 funcionários já este ano, dos quais 500 trabalhadores devem deixar a entidade no âmbito de um despedimento coletivo.

Os membros da CNT estiveram hoje reunidos com o Conselho de Administração do Novo Banco, num encontro que contou com a presença do presidente Eduardo Stock da Cunha, tendo-lhes sido passada esta informação, com a qual discordam.

“Informámos que não aceitamos nem pactuamos, de forma alguma, com despedimentos coletivos no nosso banco”, destacou a CNT.

“Vamos novamente solicitar audiências ao primeiro-ministro, ministro das Finanças, Ministro do Trabalho, Governador do Banco de Portugal e grupos parlamentares a manifestar o nosso absoluto repúdio com esta tentativa de despedimento coletivo”, reforçou.

E destacou: “Não faz sentido qualquer plano de reestruturação sem uma definição clara do que se pretende para o Novo Banco. Vamos lutar por outra forma de solução e pela suspensão desta medida”.

O Novo Banco, detido em exclusivo pelo Fundo de Resolução bancário, que consolida nas entidades públicas, deverá ser vendido até agosto de 2017, depois de a Comissão Europeia ter estendido por um ano a data para a sua alienação.

No entanto, nos últimos dias, foi lançada a hipótese de o banco continuar na alçada do Estado.

Além do PCP e do Bloco de Esquerda defenderem esta solução, também o ex-presidente da instituição Vítor Bento defendeu que a nacionalização do Novo Banco poderia ser uma oportunidade para liderar o processo de consolidação bancária.

O ministro-adjunto do primeiro-ministro, Eduardo Cabrita, reafirmou hoje, em Lisboa, a intenção do Governo em vender o Novo Banco quando a instituição estiver “estabilizada”.

À margem de uma conferência organizada na Faculdade de Direito de Lisboa subordinada ao tema ‘Orçamento em Exame’, o governante lembrou aos jornalistas que o Novo Banco “é, neste momento, um banco de transição” e defendeu a “estabilização” da instituição “para permitir” a sua venda.

“Temos de libertar recursos [financeiros] vendendo o Novo Banco nas melhores condições”, afirmou Eduardo Cabrita, criticando de seguida a forma como o anterior governo conduziu o processo.

Na terça-feira, o vice-presidente da bancada parlamentar socialista João Galamba frisou também a intenção de vender o Novo Banco a privados, mas disse ainda que a manutenção da instituição sob controlo público é um último recurso, caso não existam compradores e ofertas válidas.

Também sobre o tema, o primeiro-ministro e líder socialista, António Costa, disse que “a pressa é má conselheira” e há que “dar tempo para se encontrar uma boa solução” para o Novo Banco.