O advogado do ativista angolano Rafael Marques admitiu pedir a reabertura do processo referente ao “BES Angola” que foi arquivado pelo procurador Orlando Figueira, caso o Ministério Público não o faça, por entender que há factos novos.

Em declarações à agência Lusa, o advogado Duarte Teives disse hoje que pondera, em nome do seu cliente, pedir a reabertura do processo que envolveu o vice-presidente de Angola Manuel Vicente, caso o Ministério Público não tome a iniciativa, por considerar que surgiram factos novos com a detenção do procurador que arquivou o inquérito denominado “BES Angola”.

“Estou a ponderar pedir a reabertura do processo na próxima semana. O arquivamento deste processo foi uma aberração”, declarou o mandatário do ativista e jornalista Rafael Marques.

Porém, o advogado acredita que essa iniciativa [reabertura das investigação] vai ser tomada pelo Ministério Público, dado que, em seu entender, “surgiram factos novos que o justificam”.

Orlando Figueira está em prisão preventiva desde quinta-feira, depois de ter sido ouvido no âmbito do inquérito relativo à “Operação Fizz”, que tem três arguidos constituídos: o procurador, o advogado Paulo Blanco e uma pessoa coletiva.

O advogado Paulo Blanco representou o vice-presidente de Angola na compra de um apartamento no edifício Estoril Sol, em 2012, e o seu escritório de advocacia foi alvo de buscas na terça-feira.

Segundo o Ministério Público, os factos em investigação na “Operação Fizz” indiciam suspeitas de prática dos crimes de corrupção passiva, na forma agravada, corrupção ativa na forma agravada, branqueamento de capitais e falsidade informática.

Orlando Figueira – em licença sem vencimento desde 2012 e a trabalhar na banca – foi o procurador responsável pelos processos “BES Angola” e “Caso Banif”, que arquivou, relacionados com capitais angolanos e, segundo fontes ligadas ao processo, é suspeito de ter favorecido processos em Portugal relacionados com o vice-presidente angolano Manuel Vicente.