O cartaz do Bloco de Esquerda que retrata a figura de Jesus Cristo, acompanhada da frase “Jesus também tinha dois pais”, reflete “desrespeito pelas crenças religiosas”, diz Fernando Negrão citado pelo Diário de Notícias.

Para o deputado social-democrata, o cartaz que celebra a aprovação da adoção de casais do mesmo sexo confirmada a 10 de fevereiro, “demonstra igualmente o radicalismo que hoje centra a vida política através do BE”, disse em declarações aos jornalistas na Assembleia da República.

Fernando Negrão frisou que a sua opinião não revela “desconsideração pelo princípio da liberdade expressão”, nem aceita que a incitativa dos bloquistas seja humorística.

“Não é nenhuma forma de humor, uma vez que é um ato político. Não quer dizer que não se possa fazer política com humor; pode fazer-se desde que não se falte ao respeito a terceiros. E foi o que aconteceu, faltou-se ao respeito a muitos portugueses”, respondeu o deputado social-democrata.

A voz de Fernando Negrão é mais uma que se junta ao coro de vozes que desaprovam a iniciativa, que junta bloquistas, social-democratas e ativistas da causa LGBTI.

Marisa Matias, ex-candidata presidencial do BE, em resposta a uma pergunta que lhe colocaram no seu mural do Facebook, disse que “foi um erro” e “ao lado da intenção que se pretendia”.

“Não percebo a razão de uma campanha para celebrar algo já conquistado (e com a Procriação Medicamente Assistida ainda pendente). Também não percebo o recurso à religião, que sempre se defendeu, e bem, ter de estar fora do debate”, escreveu Miguel Vale de Almeida, militante da causa LGBTI, ex-militante do Bloco de Esquerda e ex-deputado, na sua conta da mesma rede social.

O centrista, Pedro Mota Soares, também já havia acusado o cartaz de representar “uma ofensa gratuita à sensibilidade de muitos portugueses, crentes ou não crentes. Em política, como na vida, podemos discordar das ideias dos outros, mas não devemos ofender os sentimentos dos outros”, disse o parlamentar.