Os astrofísicos conseguiram detetar pela primeira vez a origem de uma rajada rápida de rádio, um fenómeno pulsante altamente energético que dura frações de segundo. Essas rajadas misteriosas têm sido detetadas pelos grandes telescópios do planeta há vários anos, mas nunca antes se tinha conseguido descobrir a sua origem. Agora sabemos que as rajadas vieram de uma galáxia a 7 mil milhões de anos-luz da Terra.

As rajadas rápidas de rádio foram descobertas há nove anos pelo astrofísico Duncan Lorimer. Segundo este professor da Universidade de West Virginia (Estados Unidos), a energia libertada por estas rajadas é equivalente à energia que o Sol envia em 10 mil anos. Até agora não se sabia a origem de nenhuma das 17 rajadas de rádio identificadas pelos radiotelescópios por causa da sua brevidade. À 18ª foi de vez, graças ao projeto conjunto da Organização para a Investigação Científica e Industrial da Commonwealth e do telescópio japonês Subaru, montado no Hawai. De acordo com o relatório lançado esta semana na Nature, o sinal durou 1 milissegundo, mas o brilho foi captado durante seis dias.

Os cientistas ainda não sabem que tipo de fenómeno gerou as rajadas rápidas de rádio, mas desconfiam que elas podem ser criadas durante o processo de fusão de estrelas de neutrões. Simon Johnston, um dos envolvidos na descoberta, diz que é possível que as rajadas rápidas de rádio e as ondas gravitacionais – cuja existência foi comprovada este mês – tenham a mesma fonte e, portanto, possam ser detetadas em paralelo. Estima-se que existam 10 mil rajadas rápidas de rádio por dia, um número que intriga os cientistas, visto que as fusões de estrelas de neutrões não parecem ser um acontecimento tão comum quanto as estimativas sugerem. Outra hipótese é que as rajadas tenham origem na magnetar, ou seja, uma estrela de neutrões com um campo magnética extremamente alto.

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As estrelas de neutrões são corpos celestes extremamente compactos, com uma elevada força gravítica e com um período de rotação muitíssimo rápido. Formam-se quando estrelas com massa muito elevada explodem e se transformam em supernovas.

Um conhecimento mais aprofundado sobre as rajadas rápidas de rádio pode permitir apurar mais dados no ramo da cosmologia, um estudo da origem e da estrutura do Universo, explica a New Scientist.