Foi lançada por aquele que é considerado o Mark Zuckerberg da Rússia, Pavel Durov, em 2013, e chamou a atenção dos media internacionais depois de se saber que era a aplicação preferida de grupos terroristas, como o Estado Islâmico. A aplicação de mensagens Telegram está a ganhar terreno face ao rival WhatsApp: conta com mais de 100 milhões de utilizadores ativos, que enviam cerca de 15 mil milhões de mensagens diárias, conta a Fortune.

Pavel Durov desenvolveu um sistema de encriptação de mensagens, que permite proteger a identidade do emissor, codificando-a e destruindo-a ao fim de pouco tempo. Ficou conhecido entre os militantes do Estado Islâmico por disponibilizar canais de difusão de mensagens para um público ou grupo fechado com maior possibilidade de não serem detetados pelas autoridades. Perante a polémica, o fundador disse, durante o Mobile World Congress, em Barcelona, que já suspendeu mil canais pertencentes ao grupo, mas que as contas continuam a surgir a toda a hora.

Mas esta aplicação não é utilizada apenas por grupos de terroristas. É também usada para o “bem”. No Irão, por exemplo, está a ser utilizada para promover a liberdade de expressão durante a campanha para as eleições da passada sexta-feira. Diz o Mashable que o Telegram foi utilizado para transformar a forma como a campanha política se faz no país, tendo em conta que os órgãos de comunicação iranianos são frequentemente utilizados como porta-vozes dos conservadores.

As aplicações de mensagens encriptadas começaram a surgir na sequência da polémica que envolveu Edward Snowden e os documentos que comprovavam espionagem por parte da NSA.

Em fevereiro, o tema da segurança e privacidade dos utilizadores voltou a estar na ordem do dia, após Tim Cook, presidente da Apple, rejeitar um pedido do FBI – a polícia federal norte-americana queria aceder ao conteúdo de um iPhone que pertencia ao autor do tiroteio em San Bernardino, na Califórnia, que fez 14 mortos.

Em Barcelona, Pavel Durov disse, sem surpresa, que apoiava a decisão de Tim Cook (tal como Mark Zuckerberg já tinha feito também), porque se a Apple fosse obrigada a trabalhar em tecnologia que desbloqueasse iPhones protegidos por códigos pessoais, isso aumentaria o risco de violação de privacidade de centenas de milhões de utilizadores.