O ministro da Cultura, João Soares, preside esta segunda-feira à sessão na Direção Regional de Cultura do Alentejo, em Évora, do anúncio público da doação do espólio de João Cutileiro a esta direção, à Universidade de Évora e à Câmara Municipal eborense.

João Cutileiro, autor do Memorial às Vítimas da Praia do Meco, em Sesimbra e da estátua de D. Sebastião, em Lagos, no Algarve, entre outras peças escultóricas públicas, é doutor Honoris Causa, pela Universidade de Évora.

João Cutileiro nasceu há 78 anos, em Lisboa, mas vive e trabalha em Évora, onde está exposta uma parte da sua obra, desde 1985. Iniciou-se nas artes em ateliês de diversos mestres e, depois de uma breve passagem pela Escola de Belas Artes de Lisboa, rumou, por indicação de Paula Rego, à Slade School of Art, em Londres, onde se diplomou.

No início da década de 1960, Cutileiro regressou a Portugal, renovou a estética da estatuária em Portugal, com projetos marcados pelo experimentalismo. O “intimismo”, o “erotismo” e o “amor” são temas recorrentes da sua obra escultórica. Além de Portugal, as peças do escultor estão incluídas em várias coleções no estrangeiro.

João Soares todo o dia no Alentejo

Este anúncio público da doação do espólio do escultor João Cutileiro é o momento mais marcante da deslocação do ministro da Cultura, João Soares, esta segunda-feira ao Alto Alentejo. A visita começa em Portalegre, pelas 9 horas, com uma deslocação à Manufatura, na rua Dona Iria Gonçalves Pereira, e ao Museu da Tapeçaria de Portalegre, que se encontra instalado no Palácio Castelo Branco, de estilo barroco, localizado no centro histórico da cidade.

A técnica de execução das Tapeçarias de Portalegre é única no mundo, e desenvolve-se desde a década de 1940, caracterizando-se por uma grande ligação aos artistas plásticos que concebem cartões propositadamente para os teares. Domingos Camarinha, Almada Negreiros, Júlio Pomar, Vieira da Silva, Eduardo Nery, Graça Morais, Jean Lurçat e Le Corbusier são alguns dos artistas representados.

Pelas 11h15, a comitiva ministerial visita o projeto Espaço do Tempo, do coreógrafo Rui Horta, instalado no Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo, desde 2000, já em direção a Évora João Soares visita ainda, pelas 12h45, o Paço dos Henriques, em Alcáçovas.

Este paço do século XIV foi onde D. Afonso V e o seu filho, futuro D. João II assinaram, em 1479, com os reis católicos Isabel e Fernando de Espanha, o Tratado de Alcáçovas que pôs fim à guerra com o reino vizinho e reconhecia a soberania portuguesa sobre as conquistas no norte de África e as ilhas dos Açores, Madeira, Cabo Verde, a costa da Guiné, e todas as descobertas a sul do cabo Bojador, enquanto entrega a Espanha o domínio do arquipélago das Canárias. Neste paço D. João II redigiu o seu testamento e o seu sucessor, D. Manuel I, celebrou casamento com a infanta Isabel de Castela, filha dos reis católicos.

Depois da cerimónia de Évora e já ao final da tarde, em Lisboa, João Soares encerra a conferência da rádio TSF na Escola Superior de Comunicação Social e às 20 horas no Cinema S. Jorge, marca presença na estreia do filme “O amor é lindo porque sim”, de Vicente Alves do Ó, com Maria Rueff, Frances Edward e Miguel Monteiro, entre outros.