O Parlamento do Irão prepara-se para receber um número recorde de mulheres. Serão 20 deputadas num total de 290 lugares, conhecidos como Majlis. O número supera as 14 mulheres presentes na quinta legislatura após a revolução de 1976 e está muito acima do número atual: nove mulheres.

Os reformistas conseguiram uma vitória arrasadora em Teerão, capital do país, e os moderados conseguiram mais votos nas províncias. A lista dos reformistas contou com 30 candidatos, dos quais oito eram mulheres. Parvaneh Salahshori foi uma delas. Quando questionada por uma jornalista italiana sobre o que significava pertencer aos reformistas, respondeu: “Significa que queremos a mudança, significa que queremos dar mais poder às mulheres, que queremos dar mais poder aos jovens e que queremos fazer crescer a nossa economia”, relata o The Guardian.

O grupo de mulheres reformistas critica fortemente o grupo de mulheres conservadoras, porque as considera “anti-mulheres”. Um dos exemplos invocados é a recente polémica da proibição de as mulheres iranianas assistirem a jogos de voleibol em estádios. Várias associações de Direitos Humanos aderiram à campanha #OpenStadiums para a igualdade no acesso aos espetáculos desportivos, mas há mulheres no Irão que concordam com a regra. Fatemeh Alia, dos conservadores, é uma delas: “O dever da mulher é cuidar do marido e dos filhos, não é assistir a voleibol”, disse, destaca o The Guardian.

No Irão, um testemunho de duas mulheres é equivalente ao testemunho de um homem e um homem tem mais direitos na hora de herdar uma herança do que uma mulher. Mas há mais: “Um homem pode casar com quatro mulheres. Uma mulher casada não pode viajar nem trabalhar sem a autorização do marido”, contou ao Observador Shirin Ebadi, prémio Nobel da Paz e primeira juíza no Irão.