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“Sensação geral de precipício iminente” no novo romance de Inês Pedrosa

A escritora Inês Pedrosa descreve a atmosfera de "Desnorte", o seu novo livro de contos lançado no encontro de escritores de expressão ibérica Correntes d'Escritas, como uma "sensação geral de precipício iminente".

ANTONIO COTRIM/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A escritora Inês Pedrosa descreve a atmosfera de “Desnorte”, o seu novo livro de contos lançado no encontro de escritores de expressão ibérica Correntes d’Escritas, como uma “sensação geral de precipício iminente”.

Em entrevista à Lusa, Inês Pedrosa explica que aquilo que une as histórias de “Desnorte” é um sentimento de “desnorteamento, de perder o pé, de perder a terra em situações muito distintas, umas familiares, outras sociais, outras mais íntimas, em relações ou de amor ou de amizade, mas é uma sensação da pessoa não saber ou quem é ou onde está”.

“Voz”, o conto que inaugura a obra de Inês Pedrosa e onde se pode acompanhar a personagem, uma voz que se quer afirmar na relação com os outros, “a sair da sombra (…) e tornar-se real”, “serve de prefácio” aos outros textos, que incluem temas como o erotismo, o amor, a paixão, a afirmação social e o “reconhecimento exterior” dos escritores.

“Para mim, o livro está montado como se fosse um romance em que as personagens não se cruzam, em que estes temas são abordados como um romance cubista, em que os vários rostos constituem uma paisagem final”, e onde o conto central – “Desnorte” – assume a posição de “bússola do livro”.

Com ilustração do ‘designer’ brasileiro Gilson Lopes, “Desnorte” procura juntar a arte da escrita e a arte do desenho, numa confrontação entre a “dor” e a “ironia”.

“Penso que existe [na relação entre as ilustrações e os textos] muito essa dimensão de uma certa procura de uma sabedoria da leveza que nos ensina a lidar com a tristeza, com a dificuldade, com um obstáculo ou com a injustiça de outra maneira” e, acrescenta a autora: “Estou muito contente com o resultado”.

“Tenho muito a tentação e a prática de apanhar pormenores, ou uma frase, que me apetece desenvolver e que dá um conto que se fecha em si mesmo, que é uma espécie de fábula de qualquer coisa, de um sentimento, de um pensamento”, afirma Inês Pedrosa quando questionada sobre a escolha do género literário de “Desnorte”, a segunda obra de contos publicada pela escritora, concluindo que “há contos perfeitos, (…) mas dá mais [do que o romance] esse gozo de poder trabalhar cada coisinha ao pormenor”.

Inês Pedrosa está atualmente a fazer a tese de doutoramento em Literatura Comparada na Universidade Nova de Lisboa, com orientação de Nuno Júdice e de Teresa Almeida, sobre a ligação entre a escrita e a política na vida do escritor Milan Kundera, e por isso não quer adiantar muita coisa sobre novos projetos, assegurando apenas que tem um romance “na cabeça há um tempo”, romance esse “que se está a impor”.

“O que sei é que há um dia que a pessoa diz: ‘Se não escrevo isto, já não me vai sair’, portanto acho que acabo por começar este verão”, disse.

“Desnorte” é o 18.º livro publicado de Inês Pedrosa.

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