Três antigos dirigentes da operadora da central nuclear japonesa de Fukushima foram formalmente acusados hoje de não terem tomado as medidas necessárias para evitar o desastre nuclear de 2011, informou a televisão pública NHK.

O então presidente da Tokyo Electric Power (TEPCO), Tsunehisa Katsumata, de 75 anos, e os ex-vice-presidentes Sakae Muto e Ichiro Takekuro, de 65 e 69 anos, respetivamente, foram acusados de negligência profissional que resultou em mortes e em feridos.

“Trata-se da primeira vez que a justiça se vai pronunciar sobre a culpabilidade de alguém no acidente nuclear de Fukushima”, sublinhou a cadeia de televisão pública japonesa NHK.

Os três vão ser levados à justiça em conformidade com a decisão tomada, em julho, por um painel especial composto por cidadãos comuns — pela segunda vez desde o acidente. O painel decidiu que estes homens deveriam ser alvo de um processo-crime ao abrigo da lei japonesa.

O Ministério Público recusou, por duas vezes, apresentar acusação contra os homens, citando a insuficiência de provas e a baixa probabilidade de condenação.

Segundo a NHK, os três acusados vão declarar-se não culpados, sob o argumento de que era impossível prever a dimensão do ‘tsunami’ que devastou a costa nordeste do Japão e causou o acidente nuclear.

O sismo seguido de ‘tsunami’ de 11 de março de 2011 fez 18.500 vítimas mortais, mas o desastre nuclear não é apontado como tendo sido a causa direta de morte de ninguém.

Os meios de comunicação social japoneses indicaram que as acusações estão relacionadas com a morte de mais de 40 pessoas, que já se encontravam doentes, que viviam perto da central e foram retiradas precipitadamente da zona antes de falecerem.