Os anticorpos contra o vírus ébola podem vir a ser usados no tratamento da infeção, pelo menos assim o prometem os ensaios pré-clínicos apresentados na revista científica Science. Mais, os cientistas verificaram, nas experiências conduzidas com macacos, que bastaria usar um tipo de anticorpo para combater a doença, pelo menos para uma resposta mais rápida em caso de surto.

Ainda não existem tratamentos ou vacinas totalmente aprovados para o combate ao ébola e ainda que os medicamentos ZMapp e MIL-77 tenham sido usados durante o recente surto na África ocidental – 2014-2015 -, a sua eficácia ainda não está totalmente comprovada. Um dos caminhos de investigação poderá ser a utilização de anticorpos contra o vírus.

A equipa de Nancy Sullivan, investigadora no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas nos Estados Unidos, conseguiu recolher anticorpos contra o vírus ébola num sobrevivente do surto de 1995 na República Democrática do Congo. E este foi o primeiro sinal positivo: os anticorpos continuavam no corpo do homem mais de 10 anos depois da infeção, indicando que muito provavelmente continuava protegido contra a doença, nota o Guardian.

Os investigadores fizeram dois tipos de experiências, vacinando diariamente as cobaias: uma em que usaram uma combinação de dois anticorpos potentes – mAb100 e mAb114 – a partir de um dia depois de os macacos terem sido infetados; outra em que foi administrado apenas mAb114 a partir de cinco dias depois de os macacos terem sido infetados. Os resultados em ambas as experiências foram equivalentes: os animais que foram vacinados com os anticorpos sobreviveram à infeção e não apresentaram sequer sintomas da doença.

“Há duas razões para termos olhado para os anticorpos individualmente. Se tivermos um anticorpo que confira proteção, será muito mais fácil torná-lo disponível durante uma emergência”, disse, citada pelo Guardian, Nancy Sullivan. Usar uma combinação de anticorpos é provavelmente mais eficaz, porque, caso o vírus sofra mutações, continua a ser combatido, nota Jonathan Ball, professor de virologia molecular na Universidade de Nottingham, também citado pelo Guardian. Mas, de facto, é muito mais difícil de fabricar quando tem de estar disponível num curto espaço de tempo.