À partida, um motor de pesquisa desenhado especificamente para miúdos parece ser uma solução mais segura para crianças e adolescentes que tenham por hábito navegar na internet — para não falar de que é um descanso para os pais. O conceito não é propriamente novo mas ganhou outro fôlego com o Kiddle, que teria (quase) tudo para correr bem, não fosse o bloqueio de algumas palavras consideradas “más”.

À primeira vista, o Kiddle parece um Google em formato infantil, desenhado a fazer lembrar o planeta Marte. Apesar de usar uma barra de pesquisa associada ao gigante norte-americano, bem como o respetivo filtro de segurança, não está filiado à empresa. Dito isto, a ferramenta está nas bocas da imprensa internacional por maus motivos, uma vez que chegou a bloquear a pesquisa de palavras como “gay”, “puberdade”, “menstruação” e “abuso infantil”, considerando-as inapropriadas.

A ideia do Kiddle é manter as crianças em segurança e afastá-las de tópicos que possam ser considerados perigosos, motivo pelo qual bloqueia automaticamente determinadas palavras. Ignora, por isso, as páginas na internet que possam ser amigas das crianças, no sentido em que lhes ajudam a compreender conceitos como sexualidade ou identidade de género, temas cada vez mais em voga.

Até há bem pouco tempo, uma pesquisa pela palavra “bissexual” ou “transgénero” resultava na seguinte mensagem: “Oops, parece que a sua consulta contém algumas palavras más. Por favor, tente outra vez!”. Num curto espaço de tempo, a mensagem evoluiu para isto:

Introduziu uma pesquisa relacionada com (a comunidade) LBGT. Por favor compreenda que, embora a Kiddle não tenha nada contra a comunidade LGBT, é difícil de garantir a segurança de todos os resultados da pesquisa. Aconselhamos que fale com os seus pais ou guardiões sobre estes tópicos.”

Curiosamente, o motor de pesquisa chegou a bloquear o nome da atriz Pamela Anderson e deixou passar o termo genocídio. Seria, então, uma questão de tempo até surgirem críticas de utilizadores, as quais encheram a rede social Twitter e propagaram-se a uma velocidade estonteante. Por esse motivo, o site acabou por remover o bloqueio da maior parte das palavras em causa e, atualmente, já mostra links apropriados aos olhos dos mais novos.

Mas de onde vem o Kiddle? Diferentes meios afirmam que não se sabe ao certo quem está por trás do motor de pesquisa, ainda que a BBC aponte o dedo ao fundador russo responsável pelo site Freaking News.

Uma visita à página do Kiddle pouco revela sobre a sua origem, mas deixa perceber como este funciona: fica-se, então, a saber que os utilizadores podem bloquear um site ou as palavras que considerem inapropriadas e que tenham sido encontradas durante uma pesquisa, bem como o facto de não recolher informação pessoal (que permita a identificação de alguém).

O Kiddle, segundo que o pudemos testar, não funciona por aí além na língua portuguesa.