Cerca de uma centena de lesados do Banif manifestou-se, no Funchal, junto à sede do Santander Totta, instituição que adquiriu o banco, e do Banco de Portugal, exigindo a devolução do dinheiro investido em diversas aplicações.

“O objetivo é fazer ouvir de viva voz o nosso descontentamento, o nosso inconformismo, e lembrar às instâncias nacionais, que estiveram na origem deste descalabro, que nós não nos vamos calar”, disse o presidente da Associação de Lesados Banif (ALBOA), Jaime Alves, responsável pela organização do protesto.

Por um lado, os manifestantes consideravam terem sido “enganados” e, por outro, acusavam os responsáveis do Banif e do Governo de serem “aldrabões”. Estas eram mesmo as duas palavras mais ouvidas entre os manifestantes e mais presentes nos cartazes que empunhavam.

“Isto é uma vergonha para a Madeira, uma vergonha para Portugal, uma autêntica vergonha”, disse Anália Martins, ex-emigrante e cliente do Banif durante 26 anos, vincando que se sente “completamente enganada” e que já não tem confiança nas instituições do país.

Associação de Lesados do Banif representa três tipos de clientes: os acionistas, os obrigacionistas subordinados e os obrigacionistas da Rentipar.

Jaime Alves explicou que em termos de obrigacionistas estão em causa cerca de 3.500 pessoas e 330 milhões de euros, mas salientou que o universo é muito maior se se incluir os acionistas.

“Vamos lutar pela salvaguarda dos direitos destas pessoas”, afirmou Jaime Alves, vincando que acreditaram numa instituição onde o Estado Português e o Banco de Portugal tinham injetado 1.100 milhões de euros, sendo que os governantes asseguravam em público que “estava a dar lucro”.

António Pereira esteve 13 anos em Inglaterra e era cliente do Banif há 20 anos, mas agora diz que foi “enganado e bastante”, quando o convenceram a investir 100 mil euros numa aplicação com alegada garantia de segurança.

“Afinal, eles investiram o dinheiro sem a minha autorização. Quando eu chego lá para levar o juro do meu dinheiro eles disseram-me que não tinha o juro nem o principal”, contou, no decurso da manifestação, realçando que reclama apenas o que lhe pertence.

“Não foi 100 patacas, foi 100 mil euros. E custou-me. Claro que me sinto enganado e eu não descanso enquanto eles não mo pagarem”, afirmou.

A 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal decidiram a venda da atividade do Banif e da maior parte dos seus ativos e passivos ao Banco Santander Totta por 150 milhões de euros.

Depois meses depois, a 15 de fevereiro, cerca de duas centenas de lesados manifestaram-se pela primeira vez no Funchal.