A Argentina registou 15.551 casos de dengue, 55 de chikungunya e 14 de zika nos primeiros dois meses do ano, revelou na sexta-feira o Ministério da Saúde do país.

Um dos casos de zika corresponde a uma pessoa que contactou com o vírus na Argentina e ficou infetada, provavelmente, através de contacto sexual, segundo o Governo argentino. Já os casos de dengue e chikungunya foram, na sua maioria, infeções contraídas dentro da Argentina: 8.000 no caso do dengue e 30 no caso do chikungunya. Todas estas infeções são provocadas por vírus transmitido pelo mesmo mosquito (Aedes aegypti).

Como noutros países da América Latina, que estão a ser atingidos pelo surto de zika e dengue, as autoridades da Argentina têm no terreno campanhas de fumigação de locais públicos para tentar combater o mosquito.

Cientistas do Instituto Johns Hopkins de Engenharia Celular (Estados Unidos) divulgaram na sexta-feira ter encontrado a primeira prova de uma ligação biológica entre o vírus zika e a microcefalia em recém-nascidos.

A microcefalia é um distúrbio de desenvolvimento fetal que resulta num perímetro do crânio infantil mais baixo do que o normal, com consequências no desenvolvimento do bebé.

O estudo conhecido na sexta-feira foi realizado em apenas um mês, o que mostra a urgência com que está a trabalhar a comunidade científica internacional para responder às questões mais prementes sobre o zika, nomeadamente a sua possível relação com a microcefalia e a síndrome Guillain-Barré (transtorno neurológico).

Segundo a Organização Pan-americana de Saúde (OPS), o continente americano já tem mais de 134.000 casos do vírus zika suspeitos e 2.765 confirmados, mas a OPS considera os dados conservadores, porque 80% das pessoas não têm sintomas.

O Brasil é um dos países mais afetados, com a estimativa de 1,5 milhões de pessoas infetadas.

Esta semana, as autoridades brasileiras confirmaram 641 casos de microcefalia e 139 bebés com malformações congénitas que morreram, desde o início do surto do vírus zika em outubro passado.