As vendas de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à banca comercial angolana caíram para menos de metade na última semana, face à anterior, feitas pela terceira semana consecutiva exclusivamente em moeda europeia.

A informação consta do relatório semanal do banco central sobre a evolução dos mercados monetário e cambial, sobre as vendas de divisas entre 29 de fevereiro e 04 de fevereiro, que ascenderam a 115,3 milhões de euros, contra os 321,3 milhões de euros do período anterior.

Acrescenta que as vendas aos bancos foram feitas em leilão de preço e as divisas destinaram-se a garantir a importação de matérias-primas e equipamentos-setor produtivo, programas setoriais do Governo, telecomunicações e pagamento de companhias aéreas.

Angola enfrenta há mais de um ano uma crise financeira, monetária e cambial decorrente da quebra da cotação internacional do barril de crude, tendo visto as receitas fiscais com a exportação de petróleo caírem para metade em 2015 e com isso a entrada de divisas (dólares) no país.

Paralelamente, devido à escassez de divisas e limitações aos levantamentos de dólares impostos nos bancos, o mercado informal, de rua, transaciona a nota de um dólar norte-americano a mais de 300 kwanzas.

Pela terceira semana que o BNA não vende dólares aos bancos angolanos, período em que já disponibilizou, em alternativa, mais de 500 milhões de euros.

A política cambial angolana passa esta semana a ser definida pelo novo governador do BNA, Valter Filipe Duarte da Silva, nomeado sexta-feira pelo Presidente da República para aquelas funções, cargo ocupado desde janeiro de 2015 pelo antigo ministro das Finanças, José Pedro de Morais Júnior, exonerado a seu pedido.

Segundo o BNA, a taxa de câmbio média de referência de venda do mercado cambial primário, apurada ao final da última semana, ficou-se nos 159,737 kwanzas por cada dólar e de 178,475 kwanzas por cada euro, ambas praticamente inalteradas.

Há pouco mais de um ano, antes do agravamento da crise da cotação do petróleo no mercado internacional, a injeção de divisas no mercado angolano ultrapassava normalmente os 2.000 milhões de dólares por mês.

Persiste no país a forte redução da disponibilidade de moeda estrangeira no país, sendo o montante vendido aos bancos limitado às necessidades mais urgentes do sistema bancário e que obrigam a autorização do banco central.

A falta de divisas, em função da procura, continua a dificultar, por exemplo, as necessidades dos cidadãos que precisam de fazer transferências para o pagamento de serviços médicos ou de educação no exterior do país ou que viajam para o estrangeiro.