O Bloco de Esquerda chamou, com caráter de urgência, ao Parlamento, o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, para falar sobre a venda do Novo Banco. O requerimento foi entregue esta terça-feira, no dia em que vários órgãos de comunicação social noticiaram alguns desenvolvimentos no processo de alienação desta instituição.

Segundo a imprensa, o Banco de Portugal está a trabalhar, em simultâneo, em duas opções de venda do Novo Banco. O futuro da instituição pode passar pela venda direta a um investidor – com preferência para os grupos espanhóis Santander e CaixaBank -, ou pela dispersão em bolsa de parte do capital, numa operação que deverá estar concluída até julho deste ano, para responder ao compromisso estabelecido com Bruxelas.

O partido — que defende a manutenção do Novo Banco na esfera pública — diz que este plano pode trazer riscos, explicando que “a dispersão do capital do Novo Banco em bolsa impede qualquer tipo de controlo sobre os futuros acionistas do banco”, quer seja total ou parcial.

“Os investidores que procuram este tipo de operações são fundos de investimento internacionais em busca de um ativo com elevado potencial de rentabilidade e valorização, e não de um projeto estratégico de longo prazo. A dispersão do capital em bolsa acrescentará instabilidade à instituição financeira”, lê-se no requerimento apresentado pela deputada Mariana Mortágua.

O Bloco de Esquerda fala ainda das notícias que dão conta “da criação de um side bank, no âmbito do plano de reestruturação do Novo Banco, onde ficarão 17 mil milhões de ativos não estratégicos que irão sendo alienados de forma ‘flexível’”. “É legítimo perguntar se este side bank não se transformará em mais um veículo não estratégico nas mãos do Estado. A estratégia de deixar para o Estado os piores ativos para que os bancos, assim valorizados, possam ser alienados a privados já mostrou dar maus resultados.”