O vice-presidente do grupo parlamentar socialista João Galamba sublinhou hoje a correção das declarações anteriores do comissário europeu dos Assuntos Económicos, desafiando PSD e CDS-PP a falarem sobre o desvio orçamental de mil milhões em 2015.

“As declarações de ontem [segunda-feira] do comissário europeu, que foram hoje retificadas – recuou nas que fez ontem -, só podem dever-se a alguma confusão entre a execução orçamental de 2015 e a de 2016”, afirmou o deputado do PS nos Passos Perdidos do parlamento, referindo-se ao socialista francês Pierre Moscovici.

Aquele comissário europeu retificou hoje o que dissera na segunda-feira, afirmando que nada mudou e que há confiança na capacidade do Governo português para executar o Orçamento do Estado (OE) para 2016, com respeito pelas metas.

“Mesmo sem o efeito Banif, depois de todas as medidas de congelamento da despesa tomadas em dezembro e que são públicas e, mesmo tendo em conta as receitas que empolaram a execução de 2015 com prejuízo para a de 2016, o défice público de 2015 ficará entre 3,2 e 3,4% do PIB. Na melhor das hipóteses, terá um desvio orçamental de 0,5% do PIB, ou seja, mil milhões de euros”, realçou o porta-voz do PS.

O vice-presidente do grupo parlamentar centrista João Almeida lançara também dois reptos ao Governo e aos partidos de esquerda no sentido de esclarecerem o plano alternativo de medidas orçamentais adicionais que Bruxelas exige que sejam implementadas, o denominado “plano B”.

“Sobre a [execução orçamental] de 2015 já podemos dizer imensa coisa, nomeadamente que o Governo anterior falhou novamente as metas com que se comprometeu com Bruxelas – falhou em 2011, 12, 13, 14 e, sabemos agora, falhou em muito em 2015. Este Governo [do PS] e todos os portugueses são prejudicados pela execução orçamental de 2015”, disse Galamba, defendendo que ainda só se conhece a execução orçamental de janeiro, “em linha com o previsto”.

O deputado socialista garantiu que o Governo liderado por António Costa “irá executar o orçamento e apresentará medidas adicionais se for necessário ou quando for necessário”.

“O Governo português entende que, no momento atual, não é necessário e, portanto, estamos empenhados em, primeiro, fazer aprovar este OE e, de seguida, executá-lo”, afirmou.