O setor português da construção encerrou 2015 com uma evolução positiva, invertendo a tendência após 13 anos de quebras, e registou um aumento de 3% do Valor Bruto de Produção (VBP), divulgou a federação setorial.

De acordo com a análise de conjuntura de março de 2016 da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (FEPICOP), a subida do VBP do setor resultou da evolução positiva de todos os seus segmentos de atividade: a construção residencial aumentou 5%, a construção de edifícios não residenciais subiu 5,1% e os trabalhos de engenharia civil progrediram 1%.

De acordo com os valores das Contas Nacionais Trimestrais disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a evolução positiva do setor da construção em 2015 refletiu-se num crescimento de 4,1% do investimento em construção e de 3,7% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas de construção.

No ano passado, também o emprego acompanhou o aumento da produção, registando um crescimento de 0,6%, enquanto o consumo de cimento subiu 6,9%.

Segundo a FEPICOP, o desempenho positivo do setor em 2015 “assentou no forte dinamismo do segmento imobiliário, resultante do aumento da procura, particularmente a oriunda do exterior”.

Em termos de transações imobiliárias, adianta, no mercado residencial destacou-se o “forte aumento” do montante das novas operações de crédito para aquisição de habitação (+74%). Já na construção nova de habitação houve um “expressivo aumento” do licenciamento (+19%), após 15 anos consecutivos de redução no número de fogos licenciados.

Pelo contrário, o mercado das obras públicas, “refletindo a política orçamental restritiva e a redução do investimento público, manteve-se em declínio”, com quebras de 37% no valor dos contratos de empreitadas de obras públicas e de 19% no montante de obras postas a concurso.

Para 2016 a federação antecipa uma “evolução positiva, mas mais moderada do que em 2015, do nível de atividade da construção”, admitindo um crescimento de 2,5% sobretudo impulsionado pelo segmento residencial (+4,0%), enquanto a área de engenharia civil deverá ficar-se pelos 1,5% e a construção não residencial deverá crescer cerca de 3%.