Alexandra Gomes, de Figueiró dos Vinhos, distrito de Leiria, é acusada de um crime de homicídio qualificado do próprio filho recém-nascido e de um crime de profanação de cadáver ou de lugar fúnebre. A decisão do Tribunal de Leiria é conhecida esta quarta-feira.

A arguida já tinha sido condenada a 10 anos e quatro meses de prisão, mas a Relação de Coimbra decidiu mandar repetir o julgamento, tendo a repetição começado em dezembro de 2015. Nas alegações finais, o Ministério Público (MP) considerou que a decisão do Tribunal de Leiria “só pode ser a de condenação por homicídio qualificado”.

Alexandra Gomes defendeu-se, afirmando que a sua intenção era deixar a criança num centro de adoção. Segundo o MP, a arguida não terá tomado nunca a decisão de optar pela entrega da criança para adoção, afirmando que esta “escondeu sempre a gravidez até à última hora” e “recusou o enxoval”.

O procurador recordou que a repetição do julgamento pretende determinar “com clareza” se a arguida tomou a decisão de adoção ou não.

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Já a defesa defende que o crime, que data de 2012, não foi premeditado e que “o facto de ocultar a gravidez” ou recusar o enxoval não pode determinar que a intenção da arguida “fosse uma ou outra”.

Para a advogada, a personalidade da acusada “não está associada à premeditação” e, portanto, o homicídio não pode ser qualificado, tendo acontecido após “um parto em que estava sozinha e sem apoio”.

Durante a fase de investigação, a arguida admitiu também a morte de outros dois bebés. No entanto, os restos mortais destes nunca foram encontrados.