O Presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, defendeu, em Luanda, o combate à “gestão económica danosa” no Estado.

O líder do partido no poder em Angola desde 1975 falava na abertura da 11.ª reunião ordinária do comité central do MPLA, durante a qual anunciou a sua saída da vida política ativa em 2018, depois de um balanço do atual mandato.

Para José Eduardo do Santos, é necessário “prestar mais atenção ao desempenho dos quadros, aos quais foram confiadas tarefas de gestão, assim como combater com mais firmeza a gestão económica danosa ou irresponsável nas empresas públicas”, mas também a “falta de disciplina na execução dos orçamentos afetos aos serviços da administração pública central e local”.

Esta posição, assumida perante mais de 260 elementos do comité central, surge dois dias depois de a Igreja Católica angolana ter dito que a crise económica e financeira que Angola enfrenta não foi causada apenas pela queda do preço do petróleo, mas pela “falta de ética, má gestão do erário público e corrupção generalizada” no país.

A crítica, recebida com alguma surpresa pela importância dada ao assunto, foi manifestada quarta-feira em nota pastoral divulgada no final da primeira assembleia ordinária da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), realizada entre 2 e 9 de março, em Ndalatando, capital da província do Cuanza Norte.

Para os bispos, a crise económica e financeira “em que o país se encontra mergulhado” deve-se igualmente à “mentalidade compadrio ao nepotismo, em acúmulo à discriminação derivada da partidarização crescente da função pública, que sacrifica competência e o mérito”.

“Aumenta assustadoramente o fosso entre os cada vez mais pobres e os poucos que se apoderam das riquezas nacionais, muitas vezes adquiridas de forma desonesta e fraudulenta”, realçaram ainda os bispos angolanos.

O Presidente angolano defendeu igualmente que é preciso “tomar providências para colocar no aparelho governativo quadros que tenham sentido de responsabilidade e a consciência necessária, para o partido fazer cumprir a sua orientação para o desenvolvimento de instituições do Estado”.

Além disso, reconheceu que as metas inicialmente preconizadas para o desenvolvimento do país ficaram “muito aquém dos resultados pretendidos”, no que toca ao aumento da produção, eficiência das empresas públicas e do funcionamento do setor bancário.