Os suinicultores que estiveram esta sexta-feira à tarde em protesto em frente ao Ministério da Agricultura, em Lisboa, começaram a desmobilizar e vão juntar-se aos colegas que estão em camiões na zona Alta de Lisboa.

Depois de não terem sido recebidos pelo ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, o que os fez abandonar a reunião no ministério com o chefe de gabinete e um adjunto do ministro, os suinicultores ficaram ainda no Terreiro do Paço para decidirem novas formas de luta, na expectativa de que a polícia deixasse os camiões chegarem a essa zona de Lisboa.

Perante a confirmação de que seria impossível os camiões chegarem ali, os manifestantes depositaram as bandeiras negras que traziam em frente à porta do ministério e vão seguir agora para a Alta de Lisboa, para onde a polícia encaminhou os suinicultores que vinham nos camiões, medida justificada com questões de segurança.

Na Avenida Santos e Castro, na Alta de Lisboa, estão concentrados todos os camiões envolvidos no protesto, a aguardar que cheguem os suinicultores que esta tarde se manifestaram junto ao Ministério da Agricultura, no Terreiro do Paço, para depois decidirem o que fazer. 

Ânimos exaltados junto à Segunda Circular

Dezenas de suinicultores que tentaram atravessar a Segunda Circular, junto ao aeroporto, foram impedidos por elementos da PSP, o que provocou alguns momentos de tensão entre os manifestantes e elementos policiais. Os suinicultores afirmam que apenas queriam atravessar a estrada “para irem jantar” e garante que as autoridades não os deixam abandonar o local.

Assim que se aperceberam da intenção dos suinicultores, dezenas de elementos policiais deslocaram-se para junto da Segunda Circular, no sentido norte-sul. Um dos suinicultores disse à Lusa ter sido agredido pela polícia, queixando-se de ardor nos olhos, eventualmente provocado, segundo o próprio, por gás pimenta lançado pelos agentes policiais.

De acordo com a SIC Notícias, a polícia vai colocar oito carros em locais estratégicos, para que encaminhar os camiões para fora da cidade. Antes do incidente, fonte da PSP disse à Lusa que os veículos iam começar a desmobilizar em breve. De acordo com o comandante da divisão de trânsito, João Amaral, os suinicultores assumiram, pelas 19h25, o compromisso de abandonar o local.

Desde final do ano passado que os criadores têm vindo a pedir ajuda para um setor que dizem estar “à beira do colapso”. Os contestatários exigem medidas de apoio ao setor, nomeadamente uma linha de crédito bonificado e que as autoridades trabalhem para abrir novos canais à exportação. Querem ainda que o Governo exija na União Europeia o fim do embargo à Rússia.

Segundo os suinicultores, o mercado europeu está com excesso de oferta, o que está a baixar ainda mais o preço, obrigando os produtores a venderem a carne de porco abaixo do custo de produção. Só de Espanha, dizem, entram em Portugal 25 mil porcos vivos e mais de um milhão de quilos de carne por semana.

“Os políticos que assumam que o setor de suinicultura não interessa a Portugal, mas se é assim que o digam e aí teremos 200 mil pessoas a apresentar-se nos centros de emprego”, disse João Correia, porta-voz do gabinete de crise da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS).

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, vai reunir-se na segunda-feira com os seus homólogos dos países da União Europeia, tendo dito à Agência Lusa que vai propor, no caso deste setor, medidas temporariamente limitadoras da produção, como a redução do número de fêmeas reprodutoras no setor da carne de porco. Portugal defende que a União Europeia negoceie, no plano político, para que seja levantado o embargo russo aos produtos europeus.

“As exportações para a Rússia estão há vários meses bloqueadas e os russos são grandes clientes de carne de porco e produtos lácteos da União Europeia e essa tem sido uma das razões que têm provocado a inundação do mercado interno e a consequente pressão negativa sobre os preços”, recordou o ministro.

Artigo atualizado às 20h35 com informações relativas ao incidente da Segunda Circular