O Ciudadanos não quer deixar margem para dúvidas: se o PSOE de Pedro Sánchez tiver a tentação de considerar um eventual referendo que ponha em causa a unidade de Espanha, o partido de centro-direita vai romper as negociações.

Esta certeza foi manifestada por Fernando Paramo, secretário de Comunicação do Ciudadanos, e faz notícia no El País. De acordo com Paramo, se o PSOE ultrapassar esta linha vermelha bem vincada pelos liberais, o Ciudadanos vai “levantar-se da mesa [das negociações]”.

O aviso de Fernando Paramo acontece na véspera da reunião entre Pedro Sánchez e o independentista Carles Puigdemont, presidente da Catalunha e um dos mais acérrimos defensores da independência da região catalã, naquele que será o primeiro encontro entre os dois desde as eleições espanholas.

De acordo com o mesmo El País, Pedro Sánchez vai tentar persuadir Carles Puigdemont a desistir das ambições independentistas e convencer o catalão a apoiar um Governo socialista.

No entanto, os esforços do líder do PSOE deverão ser em vão. Ainda segundo o jornal espanhol, o Presidente da Catalunha não vai abdicar do referendo sobre a independência. Ou seja, se Sánchez quiser o apoio dos partidos separatistas terá mesmo de ceder nesta matéria, violando o acordo celebrado com o Ciudadanos.

O PSOE, no entanto, pode estar a contar com um novo trunfo. O mesmo El País escreve que Pedro Sánchez está disposto a apostar na divisão do Podemos de Pablo Iglésias para conseguir, pelo menos, a abstenção do terceiro partido mais votado nas últimas eleições espanholas.

Com a abstenção do Podemos, PSOE e Ciudadanos conseguiriam, em teoria, uma maioria simples no Parlamento espanhol – tal permitiria a Pedro Sánchez ser empossado presidente do Governo espanhol. Pablo Iglésias está a ser pressionado por várias figuras do partido para rever a sua posição em relação ao não apoio a um Governo suportado por uma aliança PSOE-Ciudadanos e pode ter de ceder nesta questão para evitar uma rebelião interna.