A Galp Energia pretende rever os contratos de longo prazo para abastecimento de gás natural a Portugal. A intenção foi revelada no “dia do investidor”, que se realizou esta terça-feira em Londres.

“Não sei se é o momento adequado, mas é um bom momento para rever esses contratos”, disse o presidente executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, a propósito dos quatro contratos em que a empresa se compromete a comprar gás à Argélia e à Nigéria. O contrato com a argelina Sonatrach é o primeiro a terminar, em 2020, e foi esta a operação que viabilizou o desenvolvimento do mercado de gás natural em Portugal nos anos 1990. Já os compromissos para a compra de gás natural liquefeito (GNL) à Nigéria são válidos até 2025.

Gomes da Silva admite todos os cenários, incluindo o de manter os atuais fornecedores ou, até, conversar com os produtores americanos de gás de xisto. Em conversa com jornalistas, o gestor salienta que o mercado internacional de gás natural mudou muito: está mais líquido, há mais oferta e mais flexibilidade.

As condições não são as mesmas de há 20 anos, diz o gestor, e Portugal tem agora um terminal de gás natural. Aliás, toda a Península Ibérica tem uma forte infraestrutura logística. A Galp opera, atualmente, como um comercializador grossista, com mais de sete milhões de metros cúbicos de gás contratados, muito acima dos quatro milhões que chegam todos os anos ao país via Argélia e Nigéria.

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Por outro lado, é importante garantir a segurança de abastecimento e o fornecimento ao mercado ibérico, onde está a operação ibérica, e manter, por isso, um fornecimento de longo prazo. Segurança, flexibilidade e complementaridade, ente o GNL e o abastecimento por gasoduto, são pontos importantes nesta estratégia de renegociação.

A Galp admite, ainda, voltar a comprar petróleo ao Irão, país que sempre foi um fornecedor tradicional de Portugal, quando for possível do ponto de vista das sanções internacionais e quando o sistema iraniano estiver operacional, acrescentou o presidente executivo da Galp.