“É uma área muito competitiva. Em informática, na assistência e venda de software, não se arranja um cliente de um dia para o outro. Conseguir um cliente novo demora anos.” É com estas palavras que Luís Major, fundador da Magnisis, descreve o panorama das empresas de assistência e serviços informáticos.

Desde 1993, a partir do Cartaxo, os irmãos Luís e João conduzem um negócio de sucesso. Uma carteira de clientes satisfeitos, consolidada ao longo destes anos, garante a sustentabilidade da empresa. Mais vocacionada para a adaptação de softwares de gestão empresarial, a Magnisis conseguiu evitar um risco comum a muitos negócios semelhantes: a aposta em nichos. “Nestes anos, houve imensas empresas que abriram e fecharam. Há empresários do ramo que cometeram verdadeiras loucuras e apostaram tudo em clientes do mesmo setor. É preciso diversificar as áreas para conseguir nivelar… Veja-se a construção civil. Os informáticos que se fixaram neste setor caíram a pique”, explica Luís.

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Em 1993, Luís Major fundou a empresa com o irmão / MAGNISIS

Esta visão permite aos fundadores da Magnisis ter expectativas otimistas a curto prazo. Segundo Luís, “é uma questão de saber evoluir e ir aproveitando as oportunidades. Com vários clientes financeiramente estáveis, conseguimos nivelar o negócio, manter o parque instalado e pensar na internacionalização”.

Dois irmãos, duas áreas complementares

Lançar um negócio de tecnologia no início dos anos 1990 não podia ser mais promissor. “Apanhámos a explosão da informática. O DOS, o Windows e a Internet”, resume Luís.

Antes de fundarem a empresa, ele e o irmão já davam passos importantes. João estava nos EUA, a tirar um curso na área do hardware. Luís ficou por Portugal, a estudar contabilidade e gestão. Quando o primeiro regressou ao país, resolveram avançar com um negócio próprio, que juntasse as mais-valias das duas formações.

“Começámos com os PC’s privados e acabámos por colocar o foco no software”, recorda um dos fundadores. Preferiram ficar pelo Cartaxo, onde já conheciam as pessoas e era mais fácil criar as bases. Segundo Luís, “Lisboa foi uma opção, mas a opção foi ficar na terra. Está longe da capital o suficiente para atrair clientes e perto para qualquer necessidade. Além disso, há a qualidade de vida…”

A opção foi certeira e as parcerias apareceram. Conseguiram fidelizar vários clientes que, ainda hoje, procuram os serviços da empresa. “Fomos evoluindo e os clientes também. A área empresarial precisa das novas tecnologias e nós investimos muito na investigação. Cerca de 20 a 30% do valor faturado é investido em formações”, explica Luís.

As oportunidades do século XXI

No virar do milénio, a empresa alcançou uma “vitória” importante: passaram a trabalhar com a PHC, uma software house (ou casa de software) que lidera os programas de gestão para pequenas e médias empresas.

Adaptação é o lema mais recorrente. Luís explica: “Nós vendemos o software e ajustamo-lo às necessidades das empresas. É como fazer o fato à medida dos clientes, sempre com novas exigências e soluções.”

A ideia é fornecer um serviço completo, com proximidade e confiança. Entre os clientes, a Magnisis conta com designers freelancers, fábricas de plásticos e até de produtos ortopédicos. E cada um é um desafio: “Já passámos pela entrada do euro e pelos últimos quatro, cinco anos, que foram uma loucura. Houve muitas alterações nos métodos de faturação e tivemos dificuldade em dar resposta. O principal é que o cliente não fique preocupado, mas confortável para gerir tudo e para nos procurar quando precisa”, diz.

Hoje, a empresa já aposta também em software próprio e faz consultoria, ou “aconselhamento” a alguns dos clientes que procuram esclarecer dúvidas sobre “telemóveis, computadores ou aplicações.”

Um escritório em Luanda já amanhã?

No dia anterior a esta conversa, Luís regressara de mais uma viagem a Angola. Desde 2012, este tem sido um mercado importante para a empresa. Mas tudo começou algum tempo antes: “Uns clientes contactaram a PHC, pois precisavam de implementadores com competências. Os revendedores apresentaram propostas e a nossa foi a escolhida”, recorda Luís.

Inicialmente, estes clientes pretendiam apenas abrir espaços comerciais em Portugal e precisavam dos programas informáticos que “ajudassem” à organização. Assim foi, mas a crise trouxe novos desafios. “O cliente pensou em Angola e nós fomos por arrasto. Abriram um primeiro espaço, sendo que hoje em dia já há lojas de roupa, eletrodomésticos e papelaria a trabalhar connosco”, diz.

Luís é perentório: “Se quiséssemos montar um escritório em Luanda amanhã, era imediato. Temos muito trabalho e estamos diariamente em contacto com Angola. É um mercado complexo, mas vamos com calma…”

Para o empresário, o segredo deste sucesso é a estabilização da equipa. Segundo diz, “os clientes confiam porque não têm de contar a mesma história todos os dias. Quem atende a chamada já sabe o que está do outro lado.” A maior parte dos colaboradores está na empresa há mais de cinco anos, mas “há espaço para sangue novo.”

“As tendências mudam todos os dias. Basta olhar para as modas do JavaScript, do Flash [programas informáticos]… Uma alteração nos browsers e mudou o jogo. Basta olhar para as páginas da internet desatualizadas que por aí andam…”, explica Luís. No fundo, “é fundamental perceber o que se passa no mercado, acompanhar a corrida e, com um pouco sorte, apostar no cavalo certo”, conclui.