Os socialistas estão pouco interessados em avançar agora com qualquer alteração à forma de nomeação do governador do Banco de Portugal. Em declarações aos jornalistas, Carlos César diz que a alteração daria “contributo” para melhorar supervisão do setor financeiro, mas está longe de a considerar prioritária.

“Há tanta coisa mais importante para resolver do que o processo de nomeação de uma entidade específica”, disse Carlos César em resposta ao desafio deixado pela líder do CDS, Assunção Cristas, para ser alterada a forma de nomeação do governador – que hoje é da responsabilidade do Governo. No passado, tanto o PS como o CDS já avançaram com mexidas neste capítulo da Constituição, em projetos de revisão da Lei Fundamental, mas agora o PS mostra-se desinteressado em fazer alguma coisa semelhante. Aliás, o líder parlamentar e presidente do partido Carlos César disse até que “a revisão constitucional não pode ser aberta para um preciosismo dessa natureza”.

No PSD, Luís Montenegro disse apenas que o partido alinha em mudar as regras para as entidade reguladoras, mas sem colocar em causa a independência das mesmas. Recorde-se que está aberta a guerra entre socialistas (e não só) e o atual governador, Carlos Costa.

César também falou de outro desafio do CDS, que dizia respeito a um debate aprofundado para a reforma do sistema de pensões, mas deixando o caminho totalmente em aberto. “A nossa disponibilidade para discutir, estudar e melhorar é constante, incluindo na segurança social”. Já sobre encontro de posição com o PSD para o Programa de Estabilidade e o Plano Nacional de Reformas, que o Governo tem de entregar em Bruxelas até ao final de abril, o socialista reforçou o apelo já deixado durante a sua intervenção do debate do Orçamento do Estado. “A contribuição do PSD não deve ser dispensada e o PSD não se deve ausentar desse debate”, disse César pedindo mesmo “humildade” aos sociais-democratas.

Ainda assim, o presidente do PS não deixa de atacar o PSD sobre o posicionamento escolhido para o debate do OE, “uma situação quase bizarra, em que o PSD votou contra normas que aprovou no passado e absteve-se noutras com que discordava” quando era Governo. E aproveitou para marcar a diferença face ao CDS que aproveitou o debate para apresentar propostas de alteração, “Faz parte do plano do CDS de ser o primeiro partido da direita”, provocou o socialista para logo depois rematar: “É um problema entre o PSD e o CDS, mas é bom recordar que nesta discussão orçamental o CDS ganhou ao PSD”.