A libertação de mosquitos Aedes aegyti geneticamente modificados, como forma de combater a dispersão destes insetos, “não tem impacto significativo” no ambiente, nos humanos ou nos animais, referiu um relatório preliminar da agência norte-americana para a alimentação e medicamentos (FDA, Food and Drug Administration). O relatório ressalva, no entanto, que “todas as constatações, conclusões e determinações descritas no documento são preliminares e podem mudar com base em revisões futuras”.

Estas primeiras conclusões de que não haveria impacto foram baseadas em dados do trabalho de campo da Oxitec – a empresa britânica que criou estes mosquitos -, observações realizadas pelos inspetores da FDA, acompanhados por um especialista dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americanos (CDC), numa visita ao centro de criação dos mosquitos e uma visita ao local, nos Estados Unidos, onde se pretende introduzir os mosquitos modificados. O documento está disponível para discussão pública.

O mosquito Aedes aegypti é responsável pela transmissão de vírus como zika, dengue, febre-amarela ou chikungunya. Mas só as fêmeas. São estas que precisam de sugar sangue aos humanos e animais, para se alimentarem, enquanto estão a produzir ovos. Os machos não picam. Também por isso, a FDA considera que, como os mosquitos geneticamente modificados são sobretudo machos, os riscos de reações alérgicas às picadas são “negligenciáveis”.

A introdução destes mosquitos OX513A pretende reduzir a população de mosquitos nativos, porque os machos têm um gene que mata as larvas antes de estas chegarem à idade adulta. Se for aprovado pela FDA, a Florida Keys Mosquito Control District, com a supervisão da Oxitec, irá realizar um teste no terreno. O objetivo é confirmar se os mosquitos modificados se cruzam com os selvagens e verificar qual a taxa de decréscimo na população no local de estudo.

Como, à partida, só serão libertados machos com o gene modificado, como se prevê que todas as larvas filhas desses machos morram e como o tempo de vida dos mosquitos é curta, não se prevê que o gene seja espalhado pela população selvagem de mosquito. A probabilidade de a “descendência persistir e estabelecer-se no local do ensaio ou de espalhar-se além destas fronteiras é extremamente improvável”, refere a FDA. A desvantagem é que para o controlo do Aedes aegypti ser eficaz, têm de ser introduzidos novos mosquitos modificados com alguma regularidade. E produzir e selecionar mosquitos em laboratório e em larga escala não é uma tarefa fácil.

“A FDA considera que é altamente improvável que a libertação de os machos de mosquito OX513A contribuam para o aumento da transmissão de dengue ou outras doenças transmitidas por mosquitos. Os mosquitos machos não picam humanos ou outros animais e portanto não transmitem doenças”, lê-se no documento. “Mais, o tempo de sobrevivência no ambiente é curto (aproximadamente dois dias), limitando a capacidade de interagir com humanos.”

É improvável que a eliminação de Aedes aegypti possa levar ao aumento de outras populações de mosquitos que transmitam estas ou outras doenças, refere o relatório da FDA. Mais, como o ensaio de campo terá uma duração limitada, espera-se que a população nativa de mosquitos volte aos níveis normais depois disso.