A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) acusou esta quinta-feira a distribuição de dificultar o acesso dos consumidores ao leite e produtos lácteos portugueses e exigiu respostas concretas para reduzir as importações.

Numa carta aberta dirigida a todos os intervenientes da fileira do leite, a APROLEP contesta “a ausência de resposta concreta das cadeias de distribuição Pingo Doce e Continente” e o comunicado “vago e dececionante” da associação que representa as empresas de distribuição, a APED, por não apresentar medidas concretas para reduzir o “escândalo” das importações de produtos lácteos, estimadas em 500 milhões de euros.

Na segunda-feira, a APED demarcou-se das dificuldades que afetam o setor da produção de leite e suínos, salientando, num comunicado, que a atual conjuntura só pode ser resolvida com a intervenção das autoridades nacionais e europeias e mostrando-se “disponível para dialogar com os produtores e apoiar a produção nacional”.

A APROLEP admite que “não haverá paz no setor enquanto não houver justiça” e “enquanto a distribuição continuar a dificultar o acesso dos consumidores ao leite e produtos lácteos portugueses”, exigindo mais compras de leite nacional e regras concretas para a rotulagem de origem do leite.

A associação lamentou ainda que, no mesmo dia em que o Conselho de Ministros da Agricultura começou a dar pequenos passos para ultrapassar a crise, o Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros tenha decidido prolongar as sanções económicas à Rússia, país que importava 30% dos queijos da Europa e que impôs também um embargo aos produtos agrícolas europeus.

Na segunda-feira, a Comissão Europeia mostrou-se disponível para autorizar a redução temporária da produção de leite sob uma base voluntária e duplicar os limites para a ajuda à armazenagem de leite em pó magro e de manteiga para, as 218 mil e as 100 mil toneladas, respetivamente.