Delcídio do Amaral, senador do Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-líder do Governo brasileiro, é uma peça central na Operação Lava-Jato, o maior escândalo de corrupção de que há memória no país. No centro do furacão Petrobras, o petista decidiu colaborar com a Justiça em troca de uma possível redução da pena. Em prisão domiciliária desde fevereiro, Delcídio deu uma entrevista à revista Veja onde não deixa margem para dúvidas: “Lula comandava o esquema”.

“O Lula negociou diretamente com as bancadas as indicações para as diretorias da Petrobras e tinha pleno conhecimento do uso que os partidos faziam das diretorias, principalmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas”, alega o senador.

Nessa mesma entrevista, que pode ser consultada na íntegra aqui, Delcídio do Amaral revela mais detalhes sobre o suposto esquema que envolvia Lula, Dilma Rousseff e as alegadas tentativas de obstrução à Justiça. E não poupa a Presidente do Brasil:

A Dilma herdou e se beneficiou diretamente do esquema, que financiou as campanhas eleitorais dela. A Dilma também sabia de tudo. A diferença é que ela fingia não ter nada a ver com o caso.”

De acordo com a versão do senador, Dilma Rousseff tentou criar um cordão sanitário para evitar ser contagiada pelos desenvolvimentos que ameaçavam fazer ruir o PT e a herança do anterior Governo de Lula. Mas quando começaram a ser conhecidos alguns detalhes sobre o alegado financiamento ilícito da campanha eleitoral da Presidente do Brasil tudo mudou.

“O Lula tinha a certeza de que a Dilma e o José Eduardo Cardozo (ex-ministro da Justiça, o atual titular da Advocacia-Geral da União) tinham um acordo cujo objetivo era blindá-la contra as investigações. A condenação dele seria a redenção dela, que poderia, então, posar de defensora intransigente do combate à corrupção. O Governo poderia não ir bem em outras frentes, mas ela seria lembrada como a presidente que lutou contra a corrupção”, começa por dizer Delcídio à Veja.

“A Presidente sempre mantinha a visão de que nada tinha a ver com o ‘Petrolão’. Ela era convencida disso pelo Aloizio Mercadante (o atual ministro da Educação), para quem a investigação só atingiria o governo anterior e a cúpula do Congresso. Para Mercadante, Dilma escaparia ilesa, fortalecida e pronta para imprimir sua marca no país. Lula sabia da influência do Mercadante.”

Segundo o senador petista, Lula da Silva ponderou afastar Mercadante se este “continuasse a atrapalhar” a sua relação com Dilma Rousseff. Acabou por não ser preciso. O “cerco da [operação] Lava-Jato ao Palácio do Planalto” apertou-se de tal forma que a ex-Presidente do Brasil foi obrigada a apoiar Lula para salvar a própria pele.

“O ‘Petrolão’ financiou a reeleição da Dilma. O ministro Edinho Silva, tesoureiro da campanha em 2014, adotou o achaque [extorsão] como estratégia de arrecadação. Procurava os empresários sempre com o mesmo discurso: ‘Você está com a gente ou não está? Você quer ou não quer manter seus contratos?’. A extorsão foi mais ostensiva no segundo turno [segunda volta de Dilma]. O Edinho pressionou Ricardo Pessoa, da UTC, José Antunes, da Engevix, e Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez. Acho que Lula e Dilma começaram a ajustar os ponteiros em meados do ano passado. Foi quando surgiu a ideia de nomeá-lo ministro”, alega Delcídio do Amaral.