Os números do défice são afinal bons ou maus? Para os partidos no Parlamento depende de que lado do hemiciclo se olha. O PCP diz que a responsabilidade pelo falhanço das metas (défice de 4,4% com o impacto do Banif) é culpa do anterior Governo. Já o CDS olha para os números de outra maneira (sem o efeito do Banif) para dizer que os 3% de défice podem fazer com que Portugal saia do Procedimento de Défice Excessivo já este ano. Se isso acontecer “é uma boa notícia para o país”.

Em declarações à comunicação social no Parlamento, Cecília Meireles, deputada centrista, afirmou que ainda se está a falar de “dados provisórios e incompletos” quando se fala nos números para o défice de 2015, mas a possibilidade de ficar nos 3%, sem o impacto do BANIF, é importante para Portugal. “É preciso perceber se o facto de o défice ter ficado à volta dos 3% tem efeito ao nível do procedimento de défices excessivos. É preciso ver se isso se confirma. Sair do procedimento é boa notícia para Portugal”, disse a deputada aos jornalistas.

Já António Filipe, deputado do PCP, olha para os números pelo pacote que inclui o impacto da intervenção do Banif e afirmou que estes números mostram que o Governo anterior “mais uma vez não cumpriu metas do défice que se propunha conseguir”. Sobre o BANIF, o comunista voltou a dizer que a decisão representou “uma contribuição dos portugueses para a recapitalização do Santander” e foi uma decisão tomada pelo atual governo com a qual o “PCP discordou”. “As responsabilidades pelo défice são assacáveis ao anterior Governo”, afirmou António Filipe.

Quanto ao défice de 2,2% para este ano proposto pelo atual Governo, António Filipe diz que considera que o partido “não vê que não seja possível cumprir” essa meta e que essa execução “vai corresponder a viragem de página”.