A Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, acusou os partidos de oposição que pedem a sua destituição (impeachment) no Congresso de usarem “métodos fascistas” na tentativa de tirá-la do poder, segundo o jornal britânico The Guardian.

A Presidente brasileira contou a um grupo de correspondentes internacionais que estava a ser pressionada para renunciar porque os seus opositores queriam “evitar a dificuldade de remoção – indevidamente, ilegalmente e criminalmente – de uma Presidente legitimamente eleita”.

Na entrevista, também acompanhada por jornalistas do Le Monde, The New York Times, El Pais e por um repórter do jornal argentino Pagina 12, Dilma Rousseff voltou a classificar como “golpe”o processo que corre contra ela numa comissão especial da Câmara dos Deputados.

Dilma Rousseff é acusada de ter cometido um crime de responsabilidade porque seu governo teria usado dinheiro de bancos públicos para manipular as contas do Estado em processos conhecidos no país como “pedaladas fiscais”.

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Dilma alega que os processos conduzidos pela equipa económica nas contas públicas não se caracterizam como crime de responsabilidade, portanto, a sua saída forçada do governo seria um ato ilegal.

Desde que o Ministério Público Federal anunciou que apura indícios de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de Dilma Rousseff, pode ter sido favorecido por empresas investigadas na operação Lava Jato, a chefe de Estado vem enfrentando forte oposição política e a insatisfação de uma parcela crescente da população.

No último dia 13, cerca de 6 milhões de pessoas participaram em protestos de rua organizados em todos os estados do Brasil contra seu governo, nos quais os participantes pediam especificamente que ela fosse destituída da presidência.

Nesta semana, Dilma Rousseff também foi alvo de críticas da revista britânica The Economist, que publicou um editorial dizendo que a sua saída do poder daria ao Brasil a possibilidade de um “novo começo”.