Migrantes rejeitados, crianças vítimas de abuso sexual, idosos abandonados e maltratados, escravidão, abuso e exclusão de todos os tipos foram hoje denunciados no Coliseu de Roma, na presença do papa Francisco, durante a Via Sacra.

Dezenas de milhares de pessoas foram entrando hoje, ao longo noite, no Coliseu de Roma, depois de terem passado por fortes controlos de segurança.

O chefe da igreja católica, de 79 anos, sentado num trono vermelho, ao lado de uma grande cruz de metal, iluminada com tochas, escutou um longo discurso escrito pelo cardeal italiano Gualtiero Bassetti, arcebispo de Perugia (no centro de Itália).

Dois sírios, um russo, um chinês e um centro-africano foram este ano escolhidos para transportar uma cruz de madeira, pela histórica arena, onde se crê que morreram milhares de cristãos, durante o império romano.

A oração foi lida ao longo das 14 estações da Via Sacra, na Sexta-Feira Santa, que assinala todos os anos a paixão e a morte de Cristo.

“Quantos medos há na nossa vida! (…) Medo daquele que é diferente, do estrangeiro, do migrante”, sublinhava a meditação, convidando a “ver o rosto do Senhor na cara dos milhões de refugiados que fogem desesperadamente do horror das guerras, das perseguições e das ditaduras”.

As várias formas de exploração e de violação do corpo humano também foram denunciadas, em primeiro lugar “as feridas das crianças profanadas na sua intimidade” pela pedofilia, e o destino das mulheres “objetos de exploração”: “Jesus, quero mostrar-te os corpos destes homens e mulheres, de crianças e de idosos, de doentes e de deficientes que não são respeitados na sua dignidade. Senhor, oremos pelos que foram violados na sua intimidade, (…) por quem não respeita a fraqueza e sacralidade do corpo que envelhece e morre”.

O arcebispo de Perugia também pediu orações “para os cristãos mortos por ódio à fé”, e defendeu a causa da família, “coração batendo” da sociedade, “célula inalienável da vida em comum”.

A meditação, que antecedeu a intervenção do papa Francisco, recordou o drama dos “judeus mortos nos campos” nazis: “Onde está Deus nos campos de extermínio? Onde está Deus nas minas e nas fábricas onde as crianças trabalham como escravas? Onde está Deus nos barcos improvisados que se afundam no mar?”, questionou o arcebispo de Perugia.