Papa Francisco

Papa denuncia “anestesia” da Europa face aos migrantes

"O Mediterrâneo tornou-se um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e anestesiada", disse o Papa na oração da sexta-feira Santa no Coliseu de Roma.

AFP/Getty Images

O Papa Francisco denunciou na sexta-feira santa “a consciência insensível e anestesiada” da Europa relativamente aos migrantes e a traição dos padres pedófilos, que “roubam os inocentes da sua dignidade”, numa oração no final da Via Sacra no Coliseu de Roma.

O Mediterrâneo e o Mar Egeu “tornaram-se um cemitério insaciável, imagem da nossa consciência insensível e anestesiada”, lamentou o Papa, na oração de cerimónia da sexta-feira Santa, que assinala a paixão e a morte de Cristo.

O Papa renovou o seu apelo aos países da União Europeia, para que acolham condignamente os centenas de milhares de requerentes de asilo e migrantes.

“Oh Cruz de Cristo, nós vemos hoje nos rostos das crianças, das mulheres e das pessoas, exaustas e assustadas que fogem das guerras e da violência e não encontram mais do que a morte e de ambos Pilates lavou as mãos”, disse.

Francisco condenou também a pedofilia no clero: “Oh Cruz de Cristo, nós ainda te vemos hoje nos ministros infiéis que, em vez de se livrarem das suas vãs ambições, roubam os inocentes da sua dignidade”, afirmou.

Evocando as ofensivas jiadistas que afetam África, o Médio Oriente e chegam ao coração da Europa, o Papa Francisco denunciou “os fundamentalismos e o terrorismo dos adeptos de certas religiões que profanam o nome de Deus e o usam para justificar uma violência sem precedentes”.

Aludindo às perseguições dos cristãos, Jorge Bergoglio lamentou “o silêncio cobarde” do mundo para com “as irmãs e irmãos mortos, queimados vivos, abatidos e decapitados, com espadas bárbaras”.

O Papa criticou ainda o fundamentalismo rígido de certas religiões, incluindo a igreja católica, “doutores da letra e não do espírito, da morte e não da vida, que em vez de ensinarem a misericórdia e a vida, ameaçam de punição e de morte e condenam o justo”. Estes “corações endurecidos julgam facilmente os outros, prontos a condená-los até ao apedrejamento”, referiu.

E criticou fortemente a conceção de laicidade em alguns países ocidentais que proíbem a expressão da fé e símbolos religiosos, como os crucifixos, em espaços públicos.

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